segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Blogs e Blogueiros: Halls of Valhalla RPG - Matheus "Odin"

Mais uma semana se inicia e, como de costume, trago a vocês uma entrevista de inestimável valor com o nosso amigo Odin, do excelente blog Halls of Valhalla. Sem mais delongas, vamos ao que interessa!



Odin, muito obrigado por participar do Blogs e Blogueiros. Sinta-se como se estivesse nos salões dourados. Pra início de conversa, qual seu nome verdadeiro?

Saudações, nobre clérigo. O nome de meu alter-ego mortal é Matheus; curiosamente, um nome deveras comum entre nossos irmãos de armas que conduzem blogs sobre RPG.


Bom Matheus, sabemos que no seu blog você atende por Odin e recebe seus visitantes nos Salões de Valhalla. Como surgiu seu interesse por mitologia nórdica?

Desde criança, meu alter-ego mortal assistia ao antigo desenho animado de Thor (aquele que foi criado na década de 70, e foi veiculado no Brasil no início dos anos 80) e de outros heróis como Capitão América e Hulk. Com o tempo, meu alter-ego começou a ler as histórias em quadrinhos de Thor e começou a pesquisar mais sobre esta tão pouco difundida mitologia. A partir disso, o interesse pelo povo nórdico e sua cultura foi crescendo cada vez mais. Assim, histórias como as de Thor, O Senhor dos Anéis e da mitologia nórdica foram se fundindo ao grande interesse pelo RPG e tudo isso unido formou a base dos Salões de Valhalla RPG, um blog onde todos participariam interpretando seus personagens preferidos.

E a respeito dos artigos sobre mitologia nórdica, publicados em seu blog, quais são suas principais fontes de referência?

Minhas fontes são bastante simples: Retiro a maioria do que escrevo de sites especializados em mitologia nórdica e de alguns artigos da Wikipédia em inglês. Estranhamente, o material disponível sobre o assunto na internet é de qualidade muito superior ao pouco que temos disponível em livros na língua portuguesa.


Como, quando e onde começou a jogar RPG?
Meu alter-ego mortal começou a jogar aos 18 anos de idade, em 1998, com um valoroso grupo de RPG que conheceu durante seus treinos de karate. Este grupo inicial jogava AD&D e Tagmar na época, e o faziam de maneira muito boa. O mestre criava histórias excelentes e todos os personagens eram bem interpretados.

Lembro-me que uma das primeiras “dicas” dadas foi: imagine-se em um contexto medieval. Não existem gírias como “cara” ou “meu”. Enquanto estiver jogando, haja como se você fosse o personagem. Estas dicas foram levadas a sério, e logo no primeiro mês meu alter-ego começou a mestrar.

Infelizmente, devido a dois membros com espírito de Loki, este grupo original se desfez, e quando meu alter-ego formou um novo grupo com dois outros lutadores de karate em 2002 (um deles é o alter-ego de Oyama e o outro de Erol), encontramos outros nobres companheiros, como Aramil, Astreya, Krull e a namorada do alter-ego de Oyama.

Uma curiosidade: Hoje, TODOS os jogadores desta mesa treinam karate. O alter-ego de Krull e o meu sabem inclusive um pouco de kendo, o alter-ego de Erol sabe criar espadas de madeiras e arcos reais, e o alter-ego de Oyama (o mais obcecado e dedicado de todos) conhece alguns movimentos com o Nunchako. Somos um dos mais perigosos grupos de RPG de toda Midgard, hahaha!

Essa é uma curiosidade e tanto! Vocês formam um grupo letal, hehehe. E qual é seu cenário de D&D favorito?

Esta é difícil... Gosto muito de Greyhawk e de Forgotten Realms; o primeiro por não ser tão “overpower”, e o segundo pela grande quantidade de material descritivo e de qualidade que possuía (especialmente na época do AD&D, quando o material era focado mais no cenário e menos nos poderes e atributos de NPCs importantes). Outro cenário pelo qual tenho muito apreço é o mundo de O Senhor dos Anéis, especialmente durante a Primeira Era do Sol. Se precisasse escolher, acho que ficaria com Forgotten Realms na época da segunda edição.

Viva AD&D! Também acho a segunda edição de Forgotten a melhor. Quando entrevistei a Astreya, lembro que ela comentou que você é o mestre do grupo onde ela joga. Na sua opinião, qual o papel do mestre para o sucesso da aventura e da campanha como um todo?

Meu alter-ego foi o primeiro mestre deste grupo, mas hoje há outros, extremamente criativos e competentes. Acredito que o mestre deva ter um comportamento um tanto “paternalista” quando conduz uma campanha: ele deve conduzir a história sempre focada nos personagens jogadores e em seus interesses, incentivar a interpretação e participação de todos, controlar abusos e fazer com que todos os personagens sintam-se importantes na trama, mas sempre conscientes que eles fazem parte de um mundo “real”, que não gira em torno deles.

Acho que um ponto importante é o mestre se posicionar sempre como um contador de histórias, (não antagonista) e que a história a ser narrada pertence aos jogadores, e não a ele mesmo. Isso ajuda a controlar a “síndrome de Odin” que alguns mestres têm.


Por fim, é muito importante respeitar o livre arbítrio dos personagens, ajudá-los quando o dado “não colabora” e permitir que colham todos os frutos de seus atos: bons e ruins.

PS: Outra grande pérola de sabedoria seria “espere o inesperado”.

Falando nisso, há uma série de contos que você está escrevendo, "As Crônicas de Elgalor", que são publicadas no Cancioneiro de Astreya e no Dragões do Sol Negro. Pelo que me consta, você baseia estes contos no que acontece na mesa de jogo com seu grupo. Você prepara a aventura já imaginando como vai ser a continuação do conto?
Não. Encaro o conto como um reflexo da aventura, e não como uma “visão lapidada da mesma”, por isso mantenho ambos bem separados quando mestro. E de qualquer forma, esta campanha já se encerrou, e começou a ser escrita (graças ao apoio e insistência de Astreya) quando já estava bem perto do fim.

Ah bom. Eu achava que vocês ainda estavam jogando. E sobre o que você falou a respeito de esperar o inesperado, houve algum momento em que você esperava que os jogadores fossem escolher um caminho e escolheram outro?

Hahaha, seria melhor perguntar se houve momentos em que o grupo escolheu exatamente o caminho que eu esperava... Os personagens dos alter-egos de Oyama e Aramil são os maiores exemplos recentes disto; Freqüentemente os monges interpretados pelo alter-ego de Oyama (são muitos) desviam o grupo de seu rumo arrumando “desafios e inimigos” para testar sua força ou na tentativa de espalhar a arte da luta com as mãos vazias.

Certa vez um personagem do alter-ego de Oyama decidiu treinar um Goblin para ser monge, e este fato (encurtando muito a história) culminou na libertação de um demônio ancestral que matou o grupo inteiro.

Com o personagem Zook, o alter-ego de Aramil fez com que todos no grupo adentrassem um labirinto de minotauros “porque seria divertido”, e por muito pouco todos não morreram naquele dia.

Fora a ocasião em que o alter-ego de Oyama controlou a personagem ladina de sua namorada (que não pode jogar no dia) e a transformou em uma concubina especializada em goblins e minotauros... Eu poderia passar o dia narrando outros fatos desta estirpe, mas acho que já compreendeste meu ponto.

Curiosamente, estes são alguns dos momentos que mais ficam em nossa memória.

Ainda sobre as Crônicas de Elgalor, tenho visto que você tem adicionado alguns personagens conhecidos de outros blogs, como a Bruxa Selwyna e o Gnomo Nubling e, pelo que entendi, o próximo vai ser o Gronark. Eles apareceram na campanha original ou estão sendo inseridos apenas no conto?

Não, eles não apareceram na campanha original. Na verdade, Nubling havia me pedido que seus personagens participassem das Crônicas de alguma forma, e como ele e seus amigos me ajudaram muito a criar e conduzir as Guerras de Asgard, decidi abrir um pequeno espaço nas Crônicas para homenagear todos aqueles que participaram das Guerras e autorizaram o uso de seus nomes como convidados especiais.


Eu imagino que esse grupo deve ser muito engraçado. Tem vários blogueiros ilustres no seu grupo de jogo, certo? A Astreya e o Krull, se não me engano, são alguns. Quem mais participa do seu grupo e também da blogosfera RPGística?
Oyama, Erol e Aramil não possuem blogs de RPG, mas participam bastante de algumas discussões e guerras quando o tempo permite, mesmo que com nomes diferentes. O alter-ego de Aramil, por exemplo, às vezes interpreta o Gnomo Zook, um de seus personagens mais recentes.

Falando em guerra, mês passado houve uma tremenda batalha na blogosfera, por meio de uma enquete no seu blog. De um lado havia os que defenderiam Asgard e do outro os invasores da Horda. Acho que foi a melhor enquete já criada, parabéns! Eu gostaria de saber como surgiu a idéia da guerra e também qual a relação do Halls of Valhalla com a Casa da Horda.

Esta é uma história engraçada; Gronark, o Deus do Sofrimento e Canibalismo começou a ameaçar destruir a todos em meus Salões, e ofendera muitos de meus guerreiros no processo. Nubling Erkenwald, Vernard Vardalon e Selwyna faziam parte do mesmo grupo de jogo de Gronark e se posicionaram a favor de Asgard.

Quando o conflito contra Gronark começou a crescer demais, declarei que as Guerras de Asgard haviam começado, e preparei a enquete para determinar se as pessoas ergueriam suas espadas contra ou a favor de Asgard.

Nesta mesma época, firmei uma parceria com a Casa da Horda, e Gronark decidira batizar sua legião imunda de “A Horda”. Ao saber deste fato, Orrusk (o saudoso criador da Casa da Horda) declarou que apoiaria a Horda de Gronark em sua investida contra Asgard, e como seu alter-ego havia feito uma pós-graduação em Marketing de Rede em Midgard, ele convocou muitos amigos para votar contra os Reinos Dourados.

Nisto, outros blogs, como o teu, o de Krull, os Dragões do Sol Negro e o Halfling Bêbado se posicionaram ao lado de Asgard, e outros “irmãos de armas” como Snowballs se posicionaram contra os guerreiros de Valhalla.

Como a maioria dos seguidores dos Salões de Valhalla aprecia a música em estilo Metal, os membros da Horda se auto-declararam os “Funkeiros Arcanos”, e a guerra se intensificou. Mais tarde, nosso amigo Thiago, o Halfling (O Halfling Bêbado), criou um apelido para as forças de Asgard, os “Metaleiros Arcanos”, que depois passaram a ser chamados de “Metaleiros Sagrados”. Foi tudo bastante divertido, e se não fosse a falta de tempo de meu alter-ego mortal (que está agora enfrentando um monstro vil e ignóbil chamado Mestrado) certamente teríamos mais guerras acontecendo nos Salões de Valhalla.

Caro Odin, muito obrigado pela entrevista. Terias um comentário final antes de encerrarmos?

Se o espaço permitir, gostaria de agradecer-te por esta entrevista e pelo espaço que dedicas para que conheçamos melhor nossos companheiros de jornada, e gostaria também de parabenizar a todos os nossos irmãos de armas que trabalham na divulgação e difusão do RPG neste país. Vossos contos e artigos contribuem muito mais para o RPG do que o lançamento de novos livros de regras e edições revisadas. Podem acreditar.

Que as bênçãos dos deuses da guerra estejam convosco, nobres amigos!

o ClérigoSo long and thanks for all the fish!

12 comentários:

  1. Salve Mestre Odin! Que ótima entrevista, amigo clérigo. Quando Odin contou-me que seria entrevistado, fiquei muito contente, e o resultado foi melhor do que eu esperava. Uma ótima comemoração pelas 9000 visitas aos salões de Valhalla!

    Matheus "Odin" é um grande amigo de todos (por ser uma grande pessoa =), um mestre deveras competente e também um ótimo karateca (o karate de meu alter-ego mortal anda meio enferrujado...). Agradeço-te ainda mais uma vez por abrir espaço para que conheçamos tantos indivíduos valorosos, caro clérigo.

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  2. Realmente o Matheus "Odin" é um grande amigo, um grande Mestre de RPG e grande conhecedor da mitologia nórdica e também de quadrinhos! Parabéns ao Clérigo e a Odin pela ótima entrevista q fizeram!!

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  3. Agradeço ao Odin por ceder um pouco de seu divino tempo para essa entrevista com este pobre clérigo mortal.

    Fico feliz que tenham gostado da entrevista e também deste espaço, caros Frodo e Astreya. Espero que esteja cumprindo o propósito de mostrar que RPG é coisa saudável, e que são indivíduos normais que praticam este hobbie.

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  4. Gronark, Deus do Sofrimento e Canibalismo9 de agosto de 2010 23:24

    Odin foi você que batizou meu exercito de Horda lembra.
    Achei as guerras de Asgard super divertidas. Se me lembro bem foi 1000 visitas aquela semana. Só achei que o final ficou meio corrido e vago.
    O Hargor então e você Odin? Eu achava que o Zook era você. Pena que o Erol e a Bulma não entram no blog. Nem o Oyama, Thiago, Aramil, Silmeria, Loki e o Artanis não fizeram mais comentários.
    Por que o Sérgio não atualiza mais o Blog da Horda?
    O Rafael foi o Vardalon até o final da guerra, depois ele tinha feito um acordo com o Edu (Naruto.) para fazer os quadrinhos em troca desse personagem.
    Agora percebo como sou uma pessoa afortunada. Posso jogar D&D de 3 a 4 (Com diferentes grupos é claro.) vezes por semana. HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

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  5. Obrigado Gronark pelo comentário! Aquela guerra foi muito divertida mesmo, apesar da surra que Valhalla levou.

    E eu tenho feito a mesma pergunta: o que houve com a Casa da Horda? Caiu??? Foi queimada???

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  6. "O mal consome a si próprio" (Brincadeira)

    Realmente, há muito não temos novidades sobre a Casa da Horda (e tens razão, Gronark, eu realmente fui o primeiro a chamar teu grupo nefasto de "Horda").

    Nunca imaginei que quem interpretava Vardalon era a mesma pessoa que se passava por Naruto...

    Sim, se podes jogar RPG mais de uma vez por semana, tu és deveras bem afortunado, Gronark.

    Obrigado pelos comentários gentis, Astreya e Frodo. Vossas amizades são muito importantes para mim, e espero sempre ser capaz honrá-la da melhor forma possível.

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  7. Parabéns pelas 9000 visitas. Antes tarde do que nunca. :p
    Parabéns nobre clérigo e para você também Odin pela grande entrevista. Nunca imaginaria que você tem 30 anos Odin. Nunca!
    O Vardalon foi criado por mim Odin. Só que eu tinha feito um trato com o Edu. Se ele fizesse os quadrinhos para nós, eu daria esse personagem para ele no blog.
    Eu também não tenho a sorte do Leo de jogar bastante. Ou estou na Base ou cuidando da minha filhote Mariana. (Sexta-Feira é aniversario dela, 2 aninhos.)

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  8. Que coincidência, nobre Rafael. O aniversário da sobrinha de meu alter-ego mortal também é sexta-feira, só que ela vai fazer 3 anos. E também é o aniversário de um grande amigo nosso. Parabéns para sua pequena!

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  9. Próxima sexta é sexta feira 13 de agosto.... Espero que ninguém tropece e caia sobre o bolo, rsrsrsrs.

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  10. opa eu li bolo? topo FECHADO! Se bem que sexta 13 é meio,.. meio estranho hehehe, Aproveitando a ótima entrevista e já que está todo mundo aqui junto! Quero convidar vocês para participar do nosso http://dragoesdosolnegro.blogspot.com/2010/08/guardiao-do-templo-no-dia-da-blogosfera.html
    Afinal é para vocês, que fizemos esse post.
    Abraços e desculpa a propaganda ai é falta de educação mas eu sou Tosco mesmo! hehehe

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  11. hehehehe, não se preocupe Mnar, esse espaço é para divulgação de outros blogs! Você é bem vindo. Gostei muito da sua proposta e estou tentando achar algo que valha a pena enviar (assim como estou tentando achar algo que valha a pena enviar para o Krull no Templo as Artes...)

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  12. Opa eu enviei hehehe, outra coisa cara essas entrevistas sempre me surpreendem!

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