sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Blogs e Blogueiros: Vorpal - Rafael Beltrame


Hoje recebemos na seção blogs e blogueiros um grande comentarista aqui do Clérigo, Rafael Beltrame, que posta no excelente Vorpal.
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Olá Rafael, seja bem vindo ao blog do Clérigo. É um prazer receber um convidado do grande blog Vorpal. 
Muito obrigado! Fiquei muito feliz com o convite e de poder fazer parte da história desse blog que tem crescido cada vez mais.

Vamos começar com as perguntas tradicionais: de onde você é, quantos anos tem, qual sua profissão e o que mais você faz além de jogar RPG? 
Bom, vamos lá: sou de Porto Alegre, da safra de 81. Me formei em Educação Física e também como professor de Kung Fu estilo Shaolin do Norte. Esta última é minha profissão. Devo ser o professor de Kung Fu mais nerd que existe: gosto de Star Wars, videogames, miniaturas, quadrinhos, rpg, mangá/anime e todo o pacote full nerd. Só não manjo de informática e afins.

E há quanto tempo joga RPG e como entrou nesse fantástico mundo de aventuras?
Desde meus 11 anos, ou seja, uns 18 anos de aventuras. Eu acredito ter começado com os livros jogos da Marquês Saraiva, que de certa forma, são RPG. Depois, veio o GURPS e por fim o D&D da Grow. Lembro que ganhei o D&D de natal (foi um pedido meu, acho que vi numa revista de videogame, ou algo assim). No mesmo dia, aprendi a jogar através da "aventura tutorial" e logo após já saí mestrando pro meu amigo de infância (que é meu sócio na academia e o único jogador que faz parte dos meus jogos até hoje).

Depois veio o AD&D nas bancas de revista, as revistas sobre o assunto, spellfire, etc. Um dia, conheci um cara mais velho que já tinha um grupo e que morava perto da minha casa. Ele era sócio da locadora que meu pai tinha. Ele e o grupo tinham DEZOITO anos!!! Caramba, o que poderia ser mais adulto do que isso, na época? Eu com meus 14 ou 15, e eles bebiam, fumavam e tinham livros em inglês! Dragonlance! Ravenloft! Livros da 1ed!!! Assim comecei a fazer parte da geração xerox.

Depois fui comprando livros aos poucos, na única loja que tinha em Porto Alegre. Nesse meio tempo joguei WoD e D&T e depois, até d&d 3ed. Contudo, nunca larguei o AD&D2ed, que foi o sistema que mais usamos. Hoje, misturo muito material da 1ed e do OD&D/BD&D.

Assim comecei a fazer parte da geração xerox
Por ser professor de Kung Fu você já fez ou pensou em fazer house rules para sistemas de combate utilizando essa arte marcial?
Teve um periodo de mais de dois anos em que jogávamos AD&D (eu e meu sócio - que é professor de Taekwondo) usando apenas o livro básico e o livro dos Ninjas (The Complete Ninja's Handbook). O livro dos ninjas traz regras mais simples e um pouco mais "reais" de como usar artes marciais do que edições anteriores, como o Oriental Adventures.

Então, nossas aventuras eram em tempos modernos, e éramos guerreiros tipo "Ryo e Ken". Pouco usávamos magias e criaturas fantásticas. Depois cansei disso, e a minha veia "clássica" demandou dungeons, orcs e feitiços.

Não tenho house rules, mas tenho um projeto pessoal de fazer algo para o OD (essa notícia esta sendo divulgada em primeira mão pra você, Clérigo!). Estou apenas aguardando o OD oficial para ver como farei. O fato de gostar muito de filmes de Kung Fu (e ser dono da comunidade "Filmes de Kung Fu" no Orkut) faz com que eu tenha muito material criativo sobre isso. Basta sistematizar e organizar melhor (o que pode levar algum tempo).


Sinto-me lisonjeado por saber dessa notícia antecipadamente! E já que estamos falando de sistemas, quais sistemas e cenários você mais aprecia?
Como deve ter dado pra notar, o AD&D é meu favorito. Ele tem seus problemas, como todo o sistema, mas é o que se enquadra melhor no meu estilo de jogo.

Os cenários, eu comecei com Dragonlance, no qual havia ficado viciado. Depois, quando comecei a mestrar Greyhawk, DL perdeu seu lugar na minha preferência. Hoje eu diria que é Greyhawk antes das Greyhawk Wars. Algo como dizer "GH de Gygax"

Livros básicos do AD&D

Já que você falou sobre Gary Gygax, sei que você tem muito contato com gente grande da indústria do RPG através do fórum Dragonsfoot, como podemos ver pelas entrevistas que você posta lá no Vorpal. Como eu sou um zero a esquerda com relação a fóruns na internet, gostaria de saber se você tem algumas dicas para os novatos (leia-se 'para mim'), que desejem ter contato com esses feras do RPG.
Comecei apenas "dando as caras" no EnWorld. Este fórum acabou se concentrando muito em edições recentes do jogo, e após a morte de Gary Gygax, deixei de frequentá-lo e passei a usar o Dragonsfoot


Já falei com quase todos os grandes nomes old school do D&D, e ainda tenho outros no Facebook. A maioria te aceita numa boa, outros tem mais restrições (imagino que seja por causa de "fan boys"). É quase surreal falar que já conversei com Gary Gygax, Frank Mentzer, Larry Elmore e Robert Kuntz, sobre trabalhos, dúvidas e previsão do tempo!

Minha dica é ser educado, humilde e honesto com seu trabalho. Sempre que traduzo algo, peço permissão para o dono do texto original, e digo que lhe darei créditos.

Quem quiser começar, o fórum Dragonsfoot, na seção "General", é o local perfeito. Não se acanhem! Façam suas perguntas e digam o quanto vocês gostam do trabalho feito pelo autor. Afinal, quem aqui tem blog e não gosta quando comentam as matérias?

Obrigado... agora só falta eu saber como entrar num fórum e postar alguma coisa, rsrsrs. A gente sabe que lá fora há muitos outros títulos do que os disponíveis aqui em terras tupiniquins. Qual sistema ou cenário você gostaria de ver publicado aqui no Brasil?
Queria ver algo diferente. Algo como o que a Retropunk está fazendo com o Trails of Cthulhu.

Falando em Trail of Cthulhu, você tem um blog só sobre Cthulhu, certo? É o HPLtube. Como você consegue manter um blog sobre um assunto tão específico?
Meu humilde blog não é beeeem "sobre" Cthulhu. É apenas um lugar para colocar vídeos relacionados às obras de HP Lovecraft. Como dificilmente escrevo algo alem de um parágrafo curto, não me atrevo a chamar de "blog", e sim de "listinha", hehehe.

Lovecraft sempre foi um nome mencionado nos altos círculos nerd. Certo dia achei num sebo o Caso de Charles Dexter Ward e comecei a ler. Contudo, o começo do livro foi meio dificil, meio monótono. Achei que logo de cara iria encontrar com Cthulhu! Passei para o conto Dagon, em outro livro, e com isso fui fisgado. Retomei o livro do"O Caso.." e devorei-o em poucos dias. Depois, comprei outros e comecei a ler.

Desculpe fugir um pouco do assunto, mas queria dizer que a obra de Lovecraft é fantástica, e ainda assim algumas pessoas não irão gostar. Minha esposa leu "A Tumba" e achou chato. Disse que o clímax era só no fim, que o final do livro era muito abrupto. 



Oras, eu digo que Lovecraft requer que você imagine, se insira no mundo que ele criou. Assim, você experimenta o verdadeiro horror do desconhecido. Não pense como eu, no início, em monstros e sustos fáceis. Pense no que o ambiente que lhe mostrar. Depois, comecei a usar isso em minhas aventuras, com um enorme sucesso.
Aventuras de AD&D

Não se preocupe em fugir do tema! Isso é bom pois a gente acaba conhecendo melhor os entrevistados. E como você falou que usa aspectos Lovecraftianos em suas aventuras, queria saber o que você prefere: mestrar ou jogar RPG?
Prefiro mestrar. Gosto de contar a história, de fazer as pessoas se envolverem com ela. Deve ser por isso que gosto de ser professor. Fazia 6 anos que eu não jogava como "player", até o Fabiano quebrar esse combo com a aventura de OD.

Lembro que você jogou com um Ladino nessa aventura de Old Dragon mestrada pelo Neme. Qual é a sua classe de personagem favorita?
Aha! Aqui admito que ouve uma certa estratégia da minha parte. Como a proposta era uma dungeon, ou melhor uma KILLER dungeon, percebi que pontos de vida nada valiam. Fiz um ladrão porque assim eu poderia explorar melhor as coisas.

Na minha experiência em AD&D, a melhor coisa a se fazer quando você vai jogar num grupo que não conhece é criar um Guerreiro. Assim, rapidamente, você tem seu personagem sem se preocupar com magias, regras da casa, etc.

CONTUDO, para minha agradável surpresa, criar um pc no OD é tão fácil quanto no D&D clássico. Creio que em 5 minutos um jogador novato pode fazer um personagem com o auxílio do mestre. Se o jogador tiver o livro e estiver familiarizado, até menos!

Meu começo de carreira foi com o "Hector" (desafio os leitores deste blog a descobrirem que classe é o Hector, da aventura-tutorial do D&D da Grow), e depois na minha fase "munchkin", fighter-mage.

Hoje, mais maduro, confesso que não tenho uma favorita. Até mesmo porque jogo apenas com meu sócio, e eu de mestre. Criamos de 2 a 5 personagens cada um, e assim eu tenho pcs/npcs que costumam ser um homem de armas, um ladrão e alguém com magia (dependendo do que falta no jogo).

Que interessante, eu nunca joguei RPG a dois! Como mestre, quais ingredientes você acha que não podem faltar numa boa aventura ou campanha?
Na minha opinião: Descrição das cenas, organização do material e aventura e "liberdade aparente".

Este último item quer dizer que o mestre tem que saber ter jogo de cintura. Ele não deve obrigar os pcs a fazerem as coisas, e não pode forçar as ações de forma que a aventura fique forçada. Ele deve saber conduzir de maneira quase imperceptível ao momento que ele deseja, e no fim, os jogadores acharão que tudo que ocorre é por causa das ações deles.

Acho que por último, eu ainda diria "diversão". Se o jogo não for divertido para todos, tem algo errado.
Cenários de AD&D... dá pra ver que o Rafael é uma autoridade em AD&D!

Atualmente você posta no Vorpal, mas sei que você já teve ou ainda tem alguns outros blogs. Poderia nos falar um pouco da sua jornada pela blogosfera?
Então, esse é um vício que tento controlar. Sempre gostei de criar blogs, mas acabo sufocando eles. Já tive blog de tantos assuntos que nem lembro mais. Acho que a melhor ideia foi ter se juntado ao Vorpal, assim a responsabilidade não fica apenas para uma pessoa.

E como entrou para o time do Vorpal?
Tudo começou num dia meio cinzento. As árvores balançavam lá fora, e o uivo dos lobos famintos formavam uma melodia macabra...

Ok, não foi nada fora desse mundo. O Fabiano me mandou um email e me convidou. Simples assim. Fiquei feliz com o convite, e logo depois fechei as portas do Módulos e fui para o Vorpal, onde apronto as maiores confusões :D

Bem Rafael, foi um grande prazer realizar essa entrevista, e acho que os leitores vão pensar o mesmo. Muito sucesso a você lá no Vorpal. E estamos aguardando o suplemento sobre artes marciais para OD!
Eu que agradeço a oportunidade! Espero que seu blog tenha cada vez mais sucesso, pois ele está sendo de certa forma um agregador, trazendo informações e entrevistas de outros blogs. Falta ainda uma entrevista "Ladino entrevista o Clérigo" e "Clérigo entrevista o Ladino"!



Humm... o que será que os leitores vão achar dessa sugestão?
o ClérigoSo long and thanks for all the fish!

13 comentários:

  1. Uhm bons tempos de dragonfist gratuito...
    Para ad&d, podia rolar um dragonfists pro olddragon e ai iria ficar muito bacana...

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  2. salve Anônimo :D

    a ideia é meio parecida com o dragonfist, no sentido de que é uma ambientação tipo filme de kungfu. nao chega a ser um suplemento de artes marciais, é mais uma variação do tema

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  3. Bacana, fomos citados na entrevista. :)

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  4. Mais um Old scholl \m/ parabéns Rafael seu blog é muito legal!

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  5. Viva o Old School! Quem não conhece o Vorpal passe lá e confira um dos melhores blogs de rpg do país.

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  6. Muito boa entrevista clérigo. Queria ver como é o estilo Shaolin do Norte rafael, mas acho que não supera o Kanujutsu do shingo hehe. Eu também sou fã do D&D clássico e joguei o D&D da Grow (embora nunca tenha tido a oportunidade de ter a caixa =/). Hector era um clérigo (ajudante de clérigo eu acho) =), meu primo jogou com ele, eu joguei com o Carok.

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  7. aaahh..o edorass desvendou rapidamente o enigma do nome! 100xp pra vc, amigo.

    kanojutsu? é derivado do porrete-do?

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  8. Exatamente. Algumas técnicas se assemelham bastante ao sokondo na karate

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  9. Legal, mais um blog que eu não conhecia (devem ter muitos mais... haha)

    Mas, poxa, o cara já conversou com o Gary Gygax??

    Eu bem que queria ter uns contatos "lá de cima", como dizem XDDD

    Parabéns pela entrevista ^^

    -Encaitar

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  10. Encaitar, nao tem misterio nenhum!

    claro, falar como gary gygax é impossivel, mas existem tantas outras autoridades no assunto no forum Dragonsfoot...basta manjar ingles para fazer as perguntas. por sinal, eles tem uma seção de perguntas e respostas que por si só ja vale dar uma lida

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  11. Hector... eu usei esse nome pra montar um guerreiro! (é, eu já não seguia as regras a fio desde aquele tempo)
    Falando nesse assunto, parece até que eu estou ouvindo o Axel dizer "Vocês não parecem muito fortes, nem muito espertos. Portanto, eu serei o líder!"

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