segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Conto: Chloroform - parte 8


AEEE! \o/ Depois do que pareceu uma eternidade, estamos de volta com mais um pouco de Chloroform. Sugestões e comentários são muito bem vindos! Enjoy!

O sino da capela do pequeno vilarejo soou as cinco badaladas. É um horário perfeito de um dia. Romântico, dizem alguns. E foi naquele horário em que as nuvens quase dançantes se dispersavam calmamente na grande tela alaranjada e rósea, que uma garota saía de uma floricultura com a cara de quem caminhava em direção a uma terrível sessão de tortura.

Precisamos de alguém para distraí-lo até que tudo fique pronto.

Célia lembrou-se de sua tia entusiasmada falando.

Chame-o para passear durante o pôr-do-sol... Vá para bem longe, conversem bastante, sei lá, seja criativa...

“Como se fosse assim tão fácil...” Reclamou ela em pensamentos, seguindo sozinha pela estrada de chão.

“Ela fala como se fosse normal uma garota chamar um rapaz para sair, sem parecer que é um encontro ou algo do tipo, e sem dar na pinta que todo o povoado está preparando uma festa surpresa no dia do aniversário dele! Se fosse o contrário, tudo bem... Quero dizer... não que eu espere que um dia ele me chame pra sair ou algo assim, mas... Bom, eu bem que gostaria... er... Mas o fato é que eu nem tenho cara para inventar uma desculpa decente sem estragar tudo!”

A moça continuou se distanciando do povoado até chegar às cercas que limitavam o pasto do outro lado. Dali ela avistou o rancho em que Ninra morava, muitos metros à frente. Tanto que a casa, que por si só já era pequena, daquela distância parecia minúscula.

Ela parou um pouco, apoiando o corpo na larga cerca de madeira, admirando o casebre ao longe.

- Ah Ninra... se você soubesse... – suspirou tristemente.

“É tão difícil dizer... E você nunca nota nada. Distraído... como minha tia diz. Talvez ela tenha razão afinal... Talvez... eu que tenha que fazer alguma coisa.

Um galo cantou ao longe, fazendo a garota voltar a si e lembrar seu compromisso.

- C-certo. Levá-lo para longe!

As escadas de madeira rangeram como velhas quando o rapaz de olhos azuis aterrissou no primeiro andar com rapidez. Segurando uma toalha enrolada a uma muda de roupas em uma das mãos, ele seguiu em direção à porta, mas antes que chegasse à ela, seu tio resmungão lhe dirigiu a palavra.

- Célia está vindo aí. – comentou entre uma golada de chá e uma folheada em um de seus livros.

Aquilo pegou o garoto com as calças na mão.

- V-vem? Pra fazer o quê?

- Trazer um bolo que eu encomendei da senhorita Jane.

- Bolo, é? – resmungou o menino colocando a mão na cintura. Depois deu um sorriso maroto que tentou esconder do tio.

- “... eu vim aqui te chamar para ver o novo formigueiro lá do pasto...” – falou a garota em tom de treino enquanto se aproximava mais e mais da casa - Não... infantil demais... E que tal: “vamos lá ver as camélias douradas que desabrocham ao pôr-do-sol?” Nossa. Isso sim parece um tipo de encontro! Ai meu Criador! Eu não sei o que fazer... ~~’

Ela parou a menos de cinco metros da porta do rapaz. Respirou fundo e tentou uma última vez. Fechou os olhos para se concentrar melhor.

- “Ninra, eu vim até aqui pra te dizer...”

A maçaneta girou...

- “que eu nunca mais tive descanso desde o dia em que você chegou...”

E a porta se abriu...

- “porque eu me apaixonei perdidamente...”

- Célia?!

O rapaz levou um susto tão grande quanto a garota, que o ouvir aquela voz chamando seu nome, abriu os olhos arregalados, com o rosto tão vermelho quanto um morango, completando a frase exasperada:

- ...POR ESSE CÉU!! COMO EU SOU LOUCA POR ESSE CÉU ROSA!!! AMO DE PAIXÃO!!!

- Você estava... falando sozinha? .___.’

- E-eu... estava... pensando alto! Só isso! Hehehe! Nada importante, é claro!

- ãn... tá... Se você está dizendo...

- Eu vim aqui pra... bem... – e lá se foram suas horas de treino. Ainda não sabia o que dizer.

Mas foi Ninra quem falou.

- Eu nem imaginava que você apareceria hoje... – passou as mãos pelos cabelos rebeldes com um certo nervosismo que a garota não entendeu – E-eu... eu só vou jogar uma água no corpo e aí... aí a gente conversa direito.

- Mas... – ela começou.

- Ah! Onde estão os meus modos? – ele se censurou com um sorriso sem graça – Entre! Sinta-se em casa. – e abriu mais a porta, bem a tempo da garota ver tio Ralph se aproximando dos dois.

- Boa tarde Sr. Belmorn. – disse a garota tentando parecer bem casual.

- Ué. Cadê o bolo que a sua tia iria mandar? – e então se virou para o rapaz – E quanto a você? Está fedendo como um gambá! Trate de ir logo tomar o seu banho!

O garoto saiu dali tão sem graça quanto Célia tinha chegado. Sumiu de vista em questão de segundos. E a moça, ainda sem entender o motivo de tanto nervosismo por parte do rapaz, respondeu ao velho ainda em tom de espanto:

- Mas que bolo?

Continua...

Giovana-chanGiovana-chan é uma garota cheia de manias, poucos amigos, e dona de uma mente insana. Fã incondicional de cinema, livros e games, prefere atividades que envolvam sofás bem acolchoados. Morre de vergonha de falar em público e odeia a idéia de ter que falar de si mesma na terceira pessoa.

12 comentários:

  1. Hahaha, que bonitinho esses dois...

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  2. É o amo-o-or! Que mexe com a minha cabeça e me deixa assi-i-im! Mto bom Gi! Quero ver logo o livro dessa história toda!

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  3. Nada como um romance pra tornar qualquer história mais interessante.
    Eu queria ler mais ¬¬

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  4. Falando em romance, tá rolando mó clima entre uns personagens da mesa online XD

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  5. Romance na mesa online é? hehehe

    Mas ta muito bom Gi-chan, so o problema que tamo ficando curioso demais... kkkkkkkkkkkkkk

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  6. @Ladino: Calma calma, não priemos cânico! Tudo será esclarecido em seu devido tempo... sexta-feira tem mais!

    @Clérigo: Romance? Clima? Onde? Quando? Que mesa?! XD

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  7. Acho q se essa cena tivesse uma trilha sonora... com certeza seria essa aki ó:
    http://www.youtube.com/watch?v=EAFNaNXy_W8

    Taí! Isso me deu uma ótima ideia! Colocar o link das musicas em cada cena...

    Começa a partir da próxima parte, não percam!

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  8. O Cerdic está enrolado AKoKaopKOPkapOka

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  9. Eu sempre quis criar um vonto e botar as músicas que melhor se encaixam na cena junto. Isso é uma idéia boa demais!
    E quanto ao Cerdic, não sei do que vcs tão falando... XD

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  10. Realmente tá incrível o conto Gi...
    Essa parte está hilária ^^.

    Na última sessão (quarta) tive o prazer de acompanhar a mesa online. E até eu que sou mais besta e cheguei tarde percebi o climinha...

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  11. O conto tá show de bola. Quanto a romance em mesa de rpg, eu acho legal... Dá uma incrementada na história, dando mais chances de cenas legais de interpretação, motivações em lutas e ganchos para o mestre usar XD

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