terça-feira, 8 de novembro de 2011

Conversa de Taberna: E se tudo desse errado?


Tudo se perdeu... De repente a lua não mais se encontrava no céu, mas sim em curso ao planeta. Quase nada sobreviveu ao impacto e, após, os poucos com força e coragem para continuar sobrevivendo tiveram que lidar com os martírios do Sol. E aqueles que deixaram esse mundo, não encontraram descanso nem mesmo no próximo. Mas, será que tudo tem que ser assim?


Ella piscava ferozmente, era sempre assim: a mesma dificuldade de se adaptar com a luminosidade. Uma respiração funda, mais algumas piscadas e aos poucos os olhos iam se acostumando com a paisagem. Se bem que aqui, às vezes, era melhor não ver e apenas derivar nas imagens do passado.

Andou lentamente, passando pelo terreno acidentado. A cada passada a poeira se agita e levanta, dançando vagarosamente pelo ar. Por um segundo olha o movimento da poeira e segue a sua subida no ar parado.
Ella para, sentindo um leve arrepio percorrer suas costas. Quase olhou para o sol, mais um pouco e sua visão de mais nada lhe ajudaria. Fixa o olhar no chão poeirento, se recriminado pelo deslize. É difícil acreditar que este lugar já foi o leito de um rio caudaloso, hoje não passa de uma cicatriz na face da terra.

Respira fundo mais uma vez, fecha os olhos, se concentrando no que ainda precisa cumprir. Abre os olhos, fita a formação no horizonte e continua a macha.
Tenta olhar para cada fissura no chão, imaginar o que um dia povoou essa planície. Nenhum animal corta a estepe, nenhuma planta recobre a face ferida da terra, nada protege o solo contra a ação do sol.


Ah, o sol! O único que parece não mudar nessa passagem destruída. É possível sentir cada um dos seus raios abraçando o planeta. Na verdade, ele abarca o planeta, está mais próximo, mais intenso, e nada parece resistir a sua força desoladora. O sol está sofrendo e fez cada um dos seres de Kathros padecer com ele.
A noite chega rápido, em um minuto cada canto é luminoso, no seguinte o manto escuro começa a cobrir tudo. Contudo, a noite não traz nenhum alívio. A lua não mais se encontra no céu, e as estrelas já não brilham, e o frio desanima até mesmo o espírito mais valoroso.

As criaturas caçam à noite, é possível ouvi-las grunhindo, seus urros durante a caçada e as garras ferozes destruindo qualquer pedaço de carne tenra que possam encontrar. A maioria dessas criaturas não era conhecida dos humanóides, habitavam, apenas, os pesadelos de alguns, porém, após a destruição da lua, brotaram do ventre da mãe terra.
Todavia, o que mais afligia Ella era a falta da lua. Odiava olhar para o céu e não ver nada além da negritude. Isso doía em seu coração, pois lhe remedia aos tempos de infância, há infindáveis anos, quando bailava sob o luar. Nestas horas se recriminava novamente, estava ali para observar, somente observar e continuava a andar.

Avistou a floresta ao longe, pelo menos o que um dia já foi uma floresta com altas árvores e todo tipo de animais. A grande árvore que um dia abrigou a casa anciã desponta acima das demais, como uma grande torre negra. Essa região pulsava de vida, podia-se ouvir o canto dos pássaros durante o dia e a melodia das cigarras e grilos no entardecer, agora, somente, o barulho do vento nas árvores nuas trazia algum som. Ella caminha cuidadosamente entre os galhos retorcidos, quando toca em qualquer formação está se desintegra, sobrando apenas a fuligem que é carregada para longe.
 Percebem-se alguns vultos vagando por entre a vegetação seca, são espíritos dos seres que um dia habitaram este lugar. Os espíritos dos humanóides que um dia permearam este mundo vagam a esmo, sem saber ao certo o que aconteceu, o deus Dimitri não os recebe em sua morada, os guias não existem mais. É um castigo pela afronta cometida ao deus sol e a deusa lua, que culminou na destruição desta.

Algumas horas e por fim chega a seu destino. A construção está totalmente destruída, as grandes paredes que já foram adornadas com as maiores obras dos pensadores de todas as raças não passam de pequenos amontoados a esmo. O trabalho de toda uma era reduzida a pó e fuligem, toda a criação de Knowlie reduzida a nada, pelo egoísmo de alguns.
Ella vaga pelas ruínas do que um dia já lhe foi tão conhecido e tão querido. Chega onde estariam os grandes tomos da história das raças. Este era seu trabalho, a missão de seus ascendentes. Esses tomos foram escritos com o sangue de sua linhagem e hoje são apenas pó, em um mundo onde não há mais ninguém que possa lê-los.


As lagrimas lhe vem com força, Ella tenta inutilmente conte-las. Sufoca um soluço e outro. De repente tudo a sua volta parece mover-se, uma torrente de vento varre os destroços, a poeira se move, fazendo rodopios a sua volta, fica impossível de respirar.
Ella sufoca, tosse, tenta se mover em busca de ar, porém a cada respiração mais o fôlego lhe falta. Em um momento de desespero olha ao céu, rogando. O calor lhe queima a face e por um instante vê o sol, gigante, imponente, e depois nada mais, apenas o breu.
Ella, a escriba, respira lentamente, tenta controlar as batidas de seu coração. Eleva uma mão as bochechas e sente o calor de suas lágrimas, rapidamente as limpa. Após tantos séculos servindo, não deveria se emocionar com o que o futuro traz.
Por um segundo toca seus olhos, apesar de sua pele ainda conter a altivez da juventude, sabe que estes estão leitosos como os de sua predecessora eram. Estes olhos não mais enxergam o presente, somente o passado e o futuro.
A escriba encontra facilmente a pena e a mergulha na tinta. Põe-se a relatar o que acabará de ver, o futuro, ou melhor, a ausência de um futuro.
Ella murmura apenas para suas paredes, perdidas nos próprios tremores: “Ah Lena, se ao menos tu soubesses o que sua busca pode evitar, se ao menos tu puderes salvar o coração de Lua, o futuro tu salvarias criança.”




Bom, pimpolhos essa é uma fanfic que escrevi com base no livro "Amberblades e o Coração de Lua" da Gisele Bizarra, que foi resenhado pelo Ladino aqui.
É o que poderia ter acontecido se tudo desse errado e os Amberblades tivessem falhado.

Normalmente em nossa mesas não costumamos cogitar na falha dos PdJ, mas ela existe e pode acontecer com qualquer um. Penso que é algo interessante dos mestres divagarem. E se os PdJ falharem? O que acontece com o mundo da aventura? Será possível um novo grupo para continuar a aventura e tentar salvar este?

 Para conhecer o verdadeiro final dessa história, leiam "Amberblades e o Coração de Lua".

Postado por Bel.
BelBel é uma leitora compulsiva, e aficionada por RPG, HQs, séries, filmes e outras nerdices em geral. É apaixonada pelo Drizzt Do Urden e por sapatos. Além, de ser péssima com nomes e incapaz de, até mesmo, criar um apelido decente.

6 comentários:

  1. Caramba, agora fiquei com mais vontade de ler o livro. Parabéns por essa fanfic, Bel, ficou bem legal e passa um clima de tensão total.

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  2. Eu já tinha lido XD Muahahaha E curti. Eu ainda farei um desenho para a fanfic. Só tô meio perdida aqui nas coisas que ainda preciso fazer para terminar o material do próximo Amberblades.^^

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  3. Que legal, estou com muita vontade de ler. Irei economizar minhas peças de ouro para comprar um...

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  4. Eu já tinha lido este conto também, e já li o livro, e vale a pena ^^

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  5. Que bom que gostaram do texto.
    Foi a primeira fanfic que escrevi e não podia deixar de ser sobre os Amberblades, este livro excelente da Gisele.

    Recomendo a todos que leiam.

    @Gisele: Sei que anda super-mega-hiper-ultra atarefada, então não se preocupe com o desenho.

    Quem sabe quando sair o desenho da Ella não contamos um pouco sobre a história dela e das escribas. Ou uma segunda fanfic pro segundo livro...

    @Ladino: O Ladino anda fazendo o controle de qualidade dos post (qualquer reclamação, favor dirigir a ele).

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