quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Conversa de Taberna: RPGista, um ser em extinção?



Estava lendo o blog Pensotopia, e me deparei com esse pensamento do Danielfo aqui.
Sobre como os jogadores de RPG são cada vez mais escassos e como mal nos reproduzimos (conquistamos novos jogadores).



“A quantidade de jogadores que se consegue atrair durante sua vida rpgista é limitada. Geralmente o dono dos livros, corre atrás de um grupo e ao reunir os 5 ou 6 indivíduos para formar um grupo, ele para de se preocupar com isso. Afinal, as vagas são limitadas e tudo que um mestre não quer é um jogador em potencial “pingorando” vaga na sua mesa. Inconsequentemente, o narrador sepulta vivo um futuro rpgista. Fazendo um paralelo com as espécies, é possível ver que a capacidade reprodutiva de um rpgista é limitada.(...) Pode se imaginar que essa “reprodução” é exponencial, mas não é assim que acontece. O grupo é uma entidade fechada em si mesma. Quando o tamanho ideal do grupo é alcançado, ninguém mais se interessa (ou deve) chamar mais jogadores. O primeiro jogador chama, cinco pessoas para jogar com ele, mas esses cinco, não chamam cada um mais cinco. Não há nenhum perigo malthusiano no RPG.” (Danielfo aqui)


Final do ano passado, tive que mudar de cidade por motivos profissionais e depois de 5 meses nessa nova cidade, não tinha nem sinal de um grupo ou apenas um mestre de RPG.
Lógico que achei algumas pessoas que jogavam. Mas, ou estavam dando um tempo ou não tinham espaço no grupo. Sabem como RPGistas (aquele ser que não vive sem rolar alguns dados)podem ser territorialistas? Bom, experimentem ser novo em uma cidade em busca por um grupo.

Devido a seca prolongada de jogos de RPG, já que provinha de um local com um amplo manancial, resolvi me aventurar por terras desconhecidas e mestrar. Sabe, em momentos de grande necessidade, o ser humano é capaz de praticamente qualquer coisa. Hoje, posso dizer que adoro mestrar.


Então, comecei a mestra por um único motivo: não consegui achar um mestre. Arrumei um grupo de 4 jogadores (hoje são 5), dentre esses: um conhecia e jogava o sistema; outro jogava RPG, mas nunca tinha jogado o sistema; o terceiro conhecia RPG, mas nunca tinha jogado; e o quarto nem sabia o que era RPG (e foi de lambuja pela noiva).

Após muitos altos e baixos, e algumas pedras no caminho, encerramos o primeiro ciclo da narrativa no último sábado, com grande revelações por parte dos vilões e segredos descobertos.

E posso dizer que conquistei meus 5 jogadores (e realmente não procurei por mais), cumprindo bem a matemática divulgada pelo Danielfo. RPGistas (aquele ser que não vive sem rolar alguns dados) são seres com capacidade reprodutiva realmente bem limitada. Conquistei esses 5 jogadores e sei que, talvez, apenas um deles forme outro grupo de RPG.

Isso realmente nos faz pensar. Será que é o fim do nosso hobby? Será que estamos fadados a extinção? Será que o RPGista será um espécime a ser preservado?
Cada vez nossa fileiras diminuem, cada vez um número menor de pessoas se interessa e cada vez encontramos um maior número que gosta de RPG mas não joga mais, ou nunca jogou.

E tudo acaba dando voltas e mais voltas, ainda mais para pessoas que já jogam há algum tempo. Não temos mais tanto gás de continuar jogando, não temos mais tempo, e as responsabilidade da vida adulta acabam nos desestimulando.

Ultimamente, vemos um grande número de novos títulos surgirem no mercado. Encabeçados aqui no Brasil, principalmente, por título oriundos de editoras independentes, o que demonstra um claro interesse de certo grupo de consumidores e um nicho de mercado.

No entanto, ao que tudo indica o número de pessoas comprando parece ser superior ao número de pessoas jogando. Não parece que o RPG está morrendo, ou declinando, mas parece que o RPGista  sim.






Eu sempre vi o RPGista (talvez buscando um denominador comum entre as várias vertentes) como um indivíduo que tem fascínio pela abstração e pela capacidade de projetar-se em um personagem dotado de interatividade em uma história ficcional. A capacidade de abstrair e de explorar a imersividade no próprio imaginário, indo um passo adiante da literatura passiva, é aquilo que pra mim caracteriza melhor o RPGista em um sentido mais genérico.


Nessa última sessão que mestrei (a das grande revelações) eu vi o quarto jogador, aquele que nunca tinha jogado RPG e foi carregado pela noiva, se levantar e defender sua ideia, e realmente interpretar o seu personagem (um humano guerreiro):

"Eu tive um sonho. Nesse sonho eu me via ainda criança correndo pelo campo. Eu me vi esconder com os barulhos estranhos, e vi quando mataram meu tio. Esse sonho é apenas o reflexo do meu passado. E ela (apontando pra estátua) estava comigo em meus sonhos. Ela me pedia ajuda, me pedia para libertá-la. E agora, eu peço a ajuda de vocês meus fieis companheiro para me ajudarem. Eu não consegui salvar meu tio, mas eu vou conseguir salvar essa moça."

 Quer saber? Nenhuma dessas questões levantadas importam. Eu vi o milagre da vida. Eu vi um RPGista nascer.


Postado por Bel.
BelBel é uma leitora compulsiva, e aficionada por RPG, HQs, séries, filmes e outras nerdices em geral. É apaixonada pelo Drizzt Do Urden e por sapatos. Além, de ser péssima com nomes e incapaz de, até mesmo, criar um apelido decente.

10 comentários:

  1. legal o texto, bel. acho q simplesmente falar sobre rpg ´para outras pessoas ja ajuda a criar interesse.

    e se manter aberto a novatos!

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  2. Vc tem razão, eu nem sabia o que era rpg, se o meu tio não tivesse me mostrado o que era, eui nem estaria aqui sentado escrevendo no meu blog, achei ser um hobby bem interessante, eu acho que sou um dos rpgistas mais novos (tenho 15 anos), e só tenho 2 anos de experiência,eu tenho 3 irmãos, como meu grupo joga na minha casa, eles ficam curiosos em saber se é legal ou não, hoje eu explico como funciona, e agora nas férias eu vou mestrar Old Dragon pra eles.Detalhe o mais velho tem 10 e o mais novo tem 7 anos.

    e vida longa ao RPG!

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  3. Fazia tempo que queria escrevi aquilo que escrevi, Bel. Se tivesse continuado minha pós em dinâmica populacional teria inclusive calculado as equações para determinar o "futuro" do RPG.

    Eu me recuso a ficar de cara pra cima, me auto-enganando, com muitas coisas. Com o rpg, algo que gosto muito mesmo, não ia fazer o mesmo.

    Há como evitar essa matemática cruel que nos governa, sim é possível, desde que reconheçamos o problema.

    Espero que outros blogs tomem ciência desse texto e que surja alguma reflexão.

    Ps: Não sabia q vcs tinha mudado de endereço. Se precisarem de um elfo no grupo, rsrsrs.

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  4. Comigo também não foi diferente... fiquei anos sem jogar RPG (comecei no D&D da Grow e parei no D&D 3.5). Ai veio o Old Dragon e aquela nostalgia... comprei os livros... arrumei 5 jogodores que nunca ouviram falar de RPG (inclusive minha noiva) e mestrei pra eles... hoje não ficam um domingo sem jogar... mas infelizmente o grupo já fechou...

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  5. Eu também vi o milagre da vida. Eu fiz parte dele, e colaborei com ele. Com dois deles. Hoje, um tem 10 anos e a outra tem 6. E ambos jogam Old Dragon!

    Belo texto!

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  6. Me mudei ha dois anos pro meu recente bairro... Aqui niguem conhecia RPG... Galerinha nova... de 8 a 12 anos... Hj sao todos RPgistas XD...

    Tenho mto orgulho de mim mesmo e deles, pois eles espalham o Hobby aos colegas e tal...

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  7. concordo q rpgista são raros, mas ñ axo q rpg vai acabar ou q isso vai ser logo, basta vc ver quantos livros são lançados, novas edições, suplementos,n novos sistemas, novas maneiras de jogar e mestrar

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  8. Primeiramente parabéns pelo post, muito bem escrito e questões bem interessantes levantadas.
    Minha experiência pessoal com rpg:
    Meu irmão mais velho tinha xerocado o Aded 2 ed em Francês! E eu o via jogando com amigos. Nunca consegui de fato que ele me deixasse jogar com eles (temos 12 anos de diferença), porém sempre tive curiosidade e a maneira que ele achou para que eu parasse de encher foi me dando aqueles livros-aventura. Depois disso só fui jogar RPG no colégio com amigos, esse grupo jogou praticamente durante todo o primário e segundo grau. Depois de formados esse grupo minguou, restaram apenas duas pessoas, eu e o mestre, com isso arrumamos jogadores que eram amigos dele. Esse grupo durou uns dois anos e terminou já que o mestre foi pra França fazer faculdade e os que ficaram por aqui fizeram o mesmo. Minhas opções tinham acabado para continuar a jogar... Foi aí que procurando na internet, descobri que existiam eventos de RPG aqui no RJ, não muitos, + existem. Conheci muita gente bacana, que tinha parado e queria voltar a jogar, e hoje em dia formamos um grupo de amigos e organizamos um evento mensal chamado Saia Da Masmorra com o apoio de uma das poucas lojas de rpg do RJ, é um evento Indie (onde jogamos coisas velhas ou que ninguem conhece). Com isso conseguimos trazer de volta uns mortos-vivos (players aposentados) do limbo. Esse evento tem o intuito mostrar coisas alternativas e principalmente conhecer outros amantes do RPG e resgatar os seres perdidos. Claro que um evento de rpg nao preenche todo o vazio do player que nao joga mais, + tras a oportunidade de conhecer pessoas como ele e assim formarem grupos fora do evento. Eu particulamente tenho duas mesas semanais, uma de The One Ring e outra de Deathwath, e agradeço a todos que tentam manter a chama acesa do nosso hobby. Fica o convite de quem quiser conhecer o Evento saia da masmorra, será sabado agora dia 17 na point hq de ipanema. Maiores no nosso blog saiadamasmorra.blogspot.com

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  9. Hello, povo, i'm back!

    E só tenho um comentário: eu estava lá!

    E foi tããão lindo =~

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