quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sermão: Como desenvolver um projeto de RPG na sua escola


Acho que o sonho de qualquer RPGista que também seja professor é desenvolver um projeto de RPG numa escola. Contudo, apesar de existirem relatos de tais atividades pela blogosfera, pouca informação está disponível no que diz respeito à implementação e desenvolvimento de um projeto assim. Por isso compartilho com vocês o que eu fiz para organizar um dia de RPG na escola em que trabalho.
____________________________________________________________
RPG na sala ou fora dela?
Apesar de jogar e mestrar há uns 15 anos, e de ser professor há 10, nunca tive experiências com RPG em sala de aula, ou melhor, até já tentei usar RPG com uma turma, mas sem sucesso. Nem todos os alunos compraram a ideia e, por isso, a primeira decisão que tomei foi de utilizar o jogo como atividade extracurricular, só para alunos que estivessem interessados, sem forçar ninguém a participar.

Quanto tempo deve levar o projeto?
Em segundo lugar, eu passei muito tempo tentando colocar no papel um projeto grande, algo que durasse de seis meses a um ano, envolvendo um ou vários grupos de alunos em sessões semanais. Porém, logo vi que o caminho para um iniciante não deveria ser esse. Era preciso começar com algo simples, talvez alguns one-shots para os alunos conhecerem o jogo e para que eu pudesse me acostumar com a ideia de organizar um projeto assim. Resolvi então realizar o evento durante a Semana Cultural da escola, fazendo uso de aventuras curtas e direto ao ponto.

Qual a finalidade do projeto?
Todo projeto tem que ter um objetivo, e acho que essa foi a parte mais fácil de se fazer. Como sou professor de inglês e trabalho numa escola de inglês, a finalidade era meio óbvia: prover uma oportunidade para os alunos praticarem inglês. É isso mesmo, vou mestrar em inglês para alunos dos mais diversos níveis de proficiência. Vai ser doidimais, como diria o tio Nitro.

Vale a pena dar uma lida no Anais do 1º Simpósio de RPG na educação.
Qual seria o formato do evento?
Já chegando nas considerações finais, pensei em como organizar o evento. Decidi começar com uma palestra introdutória aos RPGs, para depois jogarmos a valer. Contudo, ao conversar com minha diretora, pensamos em fazer algo um pouco diferente: realizarmos a palestra em um dia, e os jogos nos dias seguintes, durante uma semana, mais ou menos. Com isso, provavelmente utilizarei outros sistemas e cobrirei uma maior variedade de temas. Estou pensando em também usar o Rastro de Cthulhu da RP e o GURPS da Devir, na tentativa de agradar um publico maior. Se alguém tiver mais alguma sugestão, será bem vinda.


Qual sistema utilizar?
Por fim, precisei decidir qual o sistema a ser utilizado. Apesar de meu ímpeto inicial de lascar um AD&D na gurizada, precisei reconsiderar a ideia, afinal não adianta fazer propaganda de quem já morreu (nesse caso, que já não é mais comercializado). Além disso, o sistema não só teria que ser moderno e possível de ser comprado, mas deveria ser simples e fácil de se criar personagens e jogar. Acabei optando pelo Dragon Age, da Jambô, que ainda por cima tem ligação com o jogo de video game, que por si só é um atrativo.

Falando nisso, eu até cogitei usar o Era Perdida RPG, que acabou de ser lançado, mas não o fiz pelo fato de necessitar acesso à internet, que infelizmente não terei no dia do evento. É uma coisa para o pessoal da revistaria digital pensar a respeito, afinal a distribuição do jogo ficou muito limitada, a meu ver.



Como colocar tudo isso no papel?
Bem, projetos não existem só no pensamento ou em conversas, mas é preciso colocá-los no papel de forma estruturada. Essa foi uma parte um tanto quanto difícil, pois nunca tinha escrito um projeto antes, mas para facilitar sua vida, basta clicar aqui para baixar o modelo de projeto que utilizei.

Conclusão
Bem, é isso pessoal. A diretora está muito animada com o evento (e eu mais ainda), e se tudo der certo vou tentar organizar um novo projeto, aí sim talvez para um semestre inteiro. Se alguém tiver mais ideias ou experiências para compartilhar, sintam-se à vontade!
o ClérigoSo long and thanks for all the fish!

20 comentários:

  1. Bem interessante! No curso no qual leciono inglês estamos com um projeto voltado para os video-games. A deia é mostrar como o domínio da língua melhora a experiência de um gamer, principalmente nos RPGs eletrônicos, associada ao fato de que boa parte do contato dos estudantes com a língua é através das mídias eletrônicas às quais eles têm contato.

    Como o post diz, é importante envolver apenas os interessados. O empecilho se dá quando, ao invés de apenas reuni-los, é necessário interessá-los antes. No meu caso, se o projeto de video games render frutos, é possível desenvolver uma atividade com RPGs de mesa.

    Como sistema eu escolheria o Mighty Blade, já que ele e bem rules-light e possui um sistema de habilidades que já dá um guia do que o personagem é capaz de realizar. O paralelo do DA:RPG com o jogo eletrônico é bem interessante, mas quando o utilizei em mesa percebi que a curva de aprendizado seria maior para iniciantes no hobby, em vista de características como redução de dano e até o próprio sistema de façanhas que, embora bem legal, pode acaabar truncando o jogo enquanto os jogadores não o assimilarem por completo.

    Outro sistema que talvez adotasse seria o Highlights, que vi uma vez no Paragons. Ele é bem livre em relação às habilidades dos personagens (destaques), que são inventados pelo próprio jogador. Isso ajudaria a entender que o exercício criativo num RPG é essencial.

    ResponderExcluir
  2. interessante a materia (jurei q o alessandro iria postar ela, ehhehehe). tb ja vi q o negocio é fazer extraclasse. pelo é assim q eu faria. ainda mais contando q se for num colegio, uma ´serie tem varias turmas, entao da pra ter bastante gente (se for esse o objetivo).

    ResponderExcluir
  3. Poxa, que legal! Creio q funcione muito bem para o inglês, afinal nessas aulas de conversação frequentemente o tema não é tão divertido o que faz os alunos participarem pouco... nesse caso como é necessário falar para participar do jogo, com certeza enriquecerá o aprendizado dos alunos. Parabéns pela inciativa e principalmente por "dismistificar" o RPG, garantindo um espaço no âmbito educacional.

    ResponderExcluir
  4. Grande projeto! Sempre sonhei em ter o RPG como ferramenta de ensino, na minha escola. Na época, eu fiz pesquisas, procurei por contatos, apresentei o jogo para alguns professores, mas, um "simples aluno e seu diminuto grupo de amigos que jogavam aquele jogo estranho" não poderiam mudar uma escola, infelizmente...

    Enfim, durante minhas pesquisas eu achei isso aqui: http://www.alfmarc.psc.br/avent_edu.asp

    Tem dicas preciosas ai sobre usar o RPG como ferramenta de ensino. Recomendo que vejam!

    ResponderExcluir
  5. Parabéns pela iniciativa Clérigo! Boa sorte! acho que está indo pelo caminho certo, mas ficaria a questão: RPG funcionaria bem para todas as disciplinas? Para Inglê creio que sim, é só narrar em Inglês e pronto (o mesmo para outros idiomas). Já se estaria praticando.
    Mas para Matemática, Física, Química, fica complicado...(talvez alguns puzzles, mas ainda assim, fica complicado, pq os puzzles vão ficar parecendo exercícios dos livros).
    O q vc acha?

    ResponderExcluir
  6. É, para exatas é mais complicado, mas para matérias como História e Geografia, é uma mão na roda!

    =D

    ResponderExcluir
  7. Vai na fé clérigo. Cheguei a ter um dos meus professores que até jogava RPG quando era mais jovem. Ele nunca fez um projeto envolvendo o jogo, mas chegou a pedir que criássemos um personagem detalhado e inclusive atribuir valores numéricos à diversas características deles.

    Usar o RPG em sala de aula pode dar muito certo, mas pode ser um fiasco também, é essencial esse planejamento que notei que você teve.

    PS: Li a matéria inteira praticamente achando que era o Alessandro. Não liguei "sermão" à pessoa.

    ResponderExcluir
  8. Boa ideia! Mas como sistema pq não o OldDragon apesar se ser um AD&D modificado é muito facil de aprender, pode ser comprado. E vai inspirar geração nova no que é bom do passado!

    ResponderExcluir
  9. Opa... muito bom Clérigo!
    VocÊ tinha mencionado algumas vezes que iria fazer algo assim!

    Embora eu acredite que seja bem possível trabalhar o RPG nos limites de tempo de uma aula curricular, realmente como atividadeextre classe o comprometimento dos alunos é outro!

    Em breve devo lançar o livro do sistema de RPG voltado diretamente para a escola, chamado JAM - Juntos aprendemos melhor!

    Quem sabe já é uma ajuda para que os professores se sintam mais à vontade para fazer uma tentativa de ousar em suas aulas!

    Para quem quiser ler mais sobre RPG e Educação, eis o link de alguns textos!

    Abraços e sucesso!

    ResponderExcluir
  10. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  11. Agora sim... eis o link

    http://dragoesdosolnegro.blogspot.com/search/label/RPG%20na%20Escola

    ResponderExcluir
  12. Bom tá ai eu ia falar que o Sr. Matheus vem mantendo uma coluna nos Dragões do Sol Negro com esse tema, hehehe mas ele já fez isso.
    Clérigo ficou muito bom show de bolismo, total aprovado.

    Deem uma passada lá no nosso blog quem se interessar pelo RPG na escola que o assunto é muito bom, http://dragoesdosolnegro.blogspot.com/search/label/RPG%20na%20Escola
    reforçando o link hehehe

    ResponderExcluir
  13. Poxa Priest! Que legaaal cara, deu vontade de me matricular na escola que vc da aula só para participar XD

    ResponderExcluir
  14. Parabéns Clérigo! Eu trabalhei bastante com RPG e Educação na universidade, voltado para Ciências e Biologia. Tenho até um livro comoutros amigos sobre o assunto, com algumas oficinas, que não foi publicado.
    Na época, nós aplicamos em horário de aula mesmo, e não é impossível de fazer. Claro que extra-classe tem algumas vantagens, como maior tempo e dedicação dos participantes, mas também tem o problema de não contar com a participação de todos.

    E te digo que em geral são duas as maiores dificuldades de quem nunca jogou: entender as regras e lidar com a liberdade de poder fazer o que quiser com sua personagem. Isso tem de ser bem trabalhado com os alunos pra dar certo.

    @Fã da Daemon: Dá pra trabalhar qualquer disciplina como RPG, tudo o que é necessário é criatividade e uma boa preparação.

    ResponderExcluir
  15. Valeu pelos comments gurizada!
    UtarefsoN: só não escolhi Mighty Blade por que o meu livro está em estado lastimável, e pretendo causar uma boa impressão, rsrsrs. Mas o sistema é ótimo para iniciantes, com certeza.

    Henrique Torinks: muito obrigado pelo link cara, achei fantástico! E, se serve de inspiração, quando tinha uns 16 anos, eu e meus amigos estranhos que jogavam aquele jogo esquisito organizamos um encontro de RPG na nossa escola (tá certo que foram apenas 20 pessoas, mas foi muito legal). A diretora foi até na minha casa assistir uma sessão de jogo, rsrsrs.

    Fã de Daemon: realmente não sei muito bem como usar matemática, química e outras matérias, mas acho que com criatividade tudo se encaixa.

    Fernando: OD é uma opção tb, pois provavelmente teremos mais de uma mesa.

    Prof. Mateus e DSN: sou fã dessa coluna do blog! Muito obrigado por divulgarem. É uma fonte de muitas ideias com certeza.

    ResponderExcluir
  16. Cara, a estrutura montada está fantástica! Parabéns pela iniciativa e criatividade!!!!

    RPGames Brasil
    http://rpgamesbrasil.blogspot.com

    ResponderExcluir
  17. Buenas, chefe! É isso aí! RPG e educação na cabeça! Beltrame, o meu post está quase pronto, só preciso ver com o Clérigo o melhor dia para postar. Na verdade, queria poder filmar as oficinas que ministro, mas, como ainda é início de ano, vai demorar para sair alguma. Agora há pouco, na reunião de uma das escolas em que leciono, já marquei uma "sessão RPG" com os professores.
    Galera, dá para usar RPG em todas as disciplinas, só precisamos pensar diferente: não são as regras que importam, mas sim a interação, a interpretação de outros personagens. Uma das professoras que participou das minhas oficinas fez um projeto incrível com crianças de 8 e 9 anos, ainda dando os primeiros passos na leitura e escrita. Incrível.
    Pessoal do Rio Grande do Norte, se tudo der certo, em agosto estarei por aí, na federal, para um seminário de Línguas.
    Parabéns pelo post, Clérigo. Quem sabe, ainda nos esbarramos pessoalmente em projetos RPGisticos educacionais.

    ResponderExcluir
  18. Eu queria RPG pelas escolas daqui também, mas a maioria dos professores tá na Idade Média ainda, e acham que "não é de Deus"... >.<

    Boa iniciativa, Clérigo. Que surjam mais! :D

    ResponderExcluir
  19. Bacana! Sugiro um sistema mais simples, o mais simples possível. Assim você foca no RPG mesmo: interpretação, faz de conta, imaginação, interação, socialização, diversão, etc.

    Gilson

    ResponderExcluir
  20. "Muito Ótima" a idéia. Estou no passos finais do meu curso de Letras Língua Inglesa, e estou muito voltado para o RPG, gostaria muito de fazer minha monografia sobre RPG e Educação, e sua experiência pode ser parte do alicerce para a mesma. Boto fé! Gostaria de ver os resultados.

    ResponderExcluir

Seja um comentarista, mas não um troll! Comentários com palavrões ou linguagem depreciativa serão deletados.