sábado, 5 de março de 2011

Aleatório: balançando os esteriótipos, bárbaros


Bárbaro. Um bárbaro não fala, grunhe. Um bárbaro não luta, destrói. Um bárbaro não fica com raiva, fica furioso. Não podemos negar que esse é por assim dizer o "pacote básico" desses personagens. Mas será que um bárbaro é apenas isso? Será que todos eles são sempre assim e pronto? Eu acho que não.
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Esses dias relendo meus livros básicos do D&D 3ª edição uma coisa me veio a mente, as vezes o modo como as coisas são (o "status quo") fica tão enraizado em nossa meste que temos dificuldade para imaginar coisas fora do que estamos acostumados. Já vi jogador dizendo que nunca jogaria de bárbaro porquê não queria um personagem burro e fedido. Sei que muitos bárbaros são burros ou fedidos (ou os dois) mas não precisa ser assim sempre. Então com o intuito de dar uma força aos nossos amigos mestres e jogadores para criarem PJs e NPCs interessantes começo hoje mais uma série de posts sobre RPG, desta vez abordando sobre como um arquétipo da fantasia medieval pode se desdobrar em vários. Chega de enrolação e vamos ao que interessa, arquétipos diferentes para bárbaros.

"Eu não me curvo para ninguém. Principalmente para um verme como você!"

O nobre selvagem: Se engana quem pensa que os povos selvagens são irracionais, cada um deles possui toda uma cultura própria. Nas regiões perigosas do mundo grande lábia não vale nada perto de um combatente capaz de garantir a sobrevivência de seus companheiros. Nesses lugares afastados da civilização estrategistas são extremamente valorizados e gozam de um status superior entre seu povo. Um nobre selvagem tende a ver a si mesmo como em um degrau acima de todas as outras pessoas e costuma desdenhar de qualquer um que não demonstre habilidade e/ou bravura em batalha. A liderança é algo natural para um nobre selvagem e seu carismas rude pode ser o fator de união de um grupo.



"Espíritos! Me deêm sua força para que eu destrua meus inimigos!"

O filho da fúria: Uma das poucas coisas que eu gostei da 4ª edição do D&D foi o fato de nela a fúria dos bárbaros ser melhor explicada. A fúria é a encarnação de espíritos selvagens ancestrais, de certa forma ela é parecida com a magia dos druidas que tiram força do mundo natural. O filho da fúria é um guerreiro, não há a mínima duvida disso, mas ele também mantém um estreito laço com seu lado místico. Ele acredita que se estiver nas graças dos espíritos (ou deuses) terá sucesso em batalha, assim é extremamente comum que ele realize pequenos rituais em honra aos seres superiores pedindo sua ajuda em batalha. Um filho da fúria sempre exalta o valor de ser guerreiro aos olhos dos seres divinos e acredita que quando entra em fúria está na verdade incorporando o aspecto destruidor da própria natureza. De certa forma um filho da fúria é um paladino as avessas pois busca apoio espiritual em sua luta, mas que não visa a justiça ou o bem irrestrito. Modificações corporais como tatuagens e cicatrizes ornamentais são frequentes entre eles, geralmente simbolizando força ou um acordo com algum espiríto.


"Destruição é tudo que vejo, ódio é tudo que eu sinto, lutar é tudo que eu sei."

O dançarino de guerra: O caos de uma batalha é o lar dos dançarinos de guerra. Lutar é tudo que uma pessoa assim sabe. Seja por algum tipo de prazer insano ou por simplesmente não ver (ou querer) outro modo de vida esses indivíduos existem quase que somente para combater. Mesmo em um lugar seguro e entre aliados eles costumam ficar sempre em estado de alerta e manter as armas o mais próximo possível. Quando não estão lutando os dançarinos de guerra costumam se sentir deslocados, como se não tivessem propósito ou utilidade fora de uma peleja, aliás muitos deles dizem que só se sentem realmente vivos quando estão trocando golpes no meio de uma luta; como se cada golpe desferido, aparado ou sofrido fosse uma respiração para alguém que está se afogando.

Nota: esse  esteriótipo é recomendado apenas para NPCs, ou se o grupo quiser um jogo mais sombrio.



"Cai dentro maluco!!!"

O brutamontes: Nem todos os "bárbaros" são originários de regiões afastadas. Na verdade há um grande número de lutadores brutais nativos das regiões "civilizadas". Geralmente chamados de brutamontes, valentões, brigadores, brucutus e outros adjetivos "carinhosos" esse tipo de gente são pessoas brutas e geralmente com pouca instrução que sobrevivem nas ruas usando um misto de intimidação, lábia e sopapos na cara. Muitas vezes esses indivíduos são usados como tropa de choque e bucha de canhão por guildas de ladrões. Embora ainda brutais os brutamontes costumam ser mais espertos que seus equivalentes selvagens, se movendo pela selva de pedra como se ela fosse a savana árida ou o norte gelado originário das tribos bárbaras. Também é comum que eles sejam ambidestros (habilididosos com as duas mãos) e recorram a truques sujos como cegar o oponente com areia, destruir o equipamento do adversário e colocá-lo em posição ruim (caído no chão por exemplo). Mas se todo o resto falhar eles entram em frenesi e partem para cima com tudo!

Então manolos, comentem o que acharam dessa idéia de abrir o leque de possibilidades das classes. Deixo uma enquete, qual classe vocês querem que eu aborde no próximo post? Escolham entre bardos e monges. Até a próxima.
Hiago AzuredHiago Azured, Roleplayer 4/Powergamer 1; tendência:??? FOR 8, DES 12, CONS 10 INT 17, SAB 9, CAR 15 Além de rpgista é metaleiro, DeMolay, nerd, otaku e agnóstico. Costuma chamar as pessoas de "manolo", tem leve tendência a falar de forma exagerada, joga todo e qualquer cenário/sistema que aparecer em sua frente. Por algum motivo considera a amizade verdadeira uma forma superior de amor. Anime favorito: BERSERK. Mora no Acre e é criador do Crônicas do Nerd Perdido.

13 comentários:

  1. Muito bom o post! O bárbaro realmente é um dos personagens mais estereotipados. Mas se repararmos a fundo nas histórias do próprio Conan, veremos que ele é bastante astuto, furtivo, entre outras características que fogem ao estereótipo.
    Já o Krull, é o estereótipo materializado rsss

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  2. É sempre bom brincar come esta coisa do estereótipo, desde que se tenha alguma habilidade para isso (coisa que te sobra). Eu mesmo iniciei n'O Bardo uma série que batizei de Desdobrando o Estereótipo, que acabou parando na segunda postagem por falta de tempo para trabalhar no projeto como eu gostaria.

    Grande abraço

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  3. Que bom que vocês estão gostando, é para os leitores que eu escrevo afinal. Mas comentem pessoal, querem monges ou bardos na próxima postagem?

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  4. É bom deixar os estereótipos de lado e partir pro novo. Quem for a favor de bárbaros alfabetizados levante a mão! \o

    Acho que exagerei, mas gostei do post, e respondendo à pergunta deixada no final, acho que os bardos são mais legais (e mais utilizados), então voto neles :)

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  5. Então Encaitar, no caso eu uso os esteriótipos apenas como linhas guias, moldes de onde eu posso tirar e colocar coisas para fazer algo diferente e orginal.

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  6. Não acho que o Conan seja um estereotipo, ele já foi pirata, ladrão, mercenário e rei. E além disso, ele não é burro.
    Gostei do post Hiago, é bom variar o menu de personagens. Voto no bardo o/

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  7. Eu acho o Bárbaro uma das classes mais legais de qualquer sistema.
    Ele, sem dúvida é o que abre mais espaço para a interpretação. Pode ser um truculento que mata tudo o que vê pela frente (nunca fiz personagem assim) ou um bárbaro jovem que foi forçado a sair dos domínios de seu clã e tem que enfrentear a "selvageria" da cidade.
    Eu acho o bárbaro um personagem digno de ser o principal da história, se o "background" dele for bem desenvolvido.
    É isso aí, ótimo post. Muitas outras classes são estereotipadas, e a graça que eu vejo em jogar RPG é em quebrar esses estereótipos, hehe.
    Valeu galera!

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  8. Pô Azured, entre bardos e monges...
    São duas classes que eu não conheço muito, pra falar a verdade. O monge eu não gosto mesmo, acho fora de contexto.
    Acho muito improvável (com meu olhar um pouco mais realista) que um soco cause mais dano do que uma machadada, mas tudo bem.
    Eu voto bardo!

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  9. E os bardos vão tomando a dianteira...

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  10. Lembrei de um documentário que eu vi outro dia, falando sobre o medo que os romanos tinham dos povos bárbaros germânicos.

    Não é que os germânicos fossem selvagens, no sentido mais estrito da palavra, mas eram tratados como bárbaros por não terem sido educados como os romanos.

    Nesse sentido, bárbaro é quem está longe da civilização dominante, ou que não foi educado por ela.

    Muito bom post.

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  11. Gostei do post. Muita gente acha que tem que seguir estereotipos para interpretar arquétipos. O mago sempre sério e sábio, o guerreiro mais burro que uma porta, o paladino sempre correto e sem desvios.
    Acho que em todos os arquétipos cabe uma interpretação sem ser estereotipada, e sem perder a essencia. Pq um paladino ou clérigo não poderia ser viciado em vinho? É a bebida que está sempre envolta em rituais de igreja. Pq um barbaro não pode ser safo? P q o ladrão não pode ser impulsivo equerer dar uma de guerreiro? Acho que cabe a mestres e jogadores criarem jeitos de fugirem dos estereotipos e cliches, sem perder a essencia da classe ou raça.

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  12. Enriquecendo a cultura inútil:

    "Modificações corporais como tatuagens e cicatrizes ornamentais são frequentes entre eles"

    Essas cicatrizes ornamentais são conhecidas como escarificação em tribos africanas e são utilizadas até hoje como transição do menino para homem!

    Parabéns pelo post! Deu até vontade de fazer um bárbaro! =D

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