quarta-feira, 6 de abril de 2011

Baforada: Combates

Um jogo de RPG pode ter diversas cenas, mas as mais empolgantes certamente são as de combate, mesmo assim, ultimamente venho notando uma falta de emoção nos combates, a coisa se tornou sistemática demais, veremos um exemplo de como trazer de volta aquela boa e velha emoção das batalhas.
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Combates:

Jeena Sindel é discípula de Lexius um sábio e poderoso mago, depois de quatro anos de estudos e intenso treinamento nas artes arcanas, Jeena está prestes a realizar seu teste final, para só assim ser declarada uma feiticeira. Carregando apenas seu cajado e um cantil, ela caminha penosamente pelas areias do deserto procurando uma elevação geográfica conhecida por Pico dos ventos, pois como ultima tarefa ela deveria escalar a montanha e obter uma pena de fenix para levar ao seu mestre e conseguir sua emancipação e reconhecimento.

Depois de milhas percorridas sob o sol escaldante a jovem vislumbra a grande montanha que se ergue das dunas em um território rochoso. Seu cantil está quase vazio, mas ela precisa continuar, precisa provar seu valor. Mal sabe que perigos a esperam.



Com seu cajado em mãos ela adentra as colinas rochosas e vagarosamente, com seus sentidos aguçados ela contorna as grandes pedras avermelhadas rezando para que nenhum mal venha acontecer, mas suas orações são desperdiçadas, porque acima de uma das rochas, bem a sua frente, ela avista o pesadelo do deserto, um escorpião negro enorme que aparenta estar faminto.


O mestre interrompe a narrativa dizendo: - Rola a iniciativa! Logo o jogador tem o resultado (ganhou a iniciativa) o mestre volta e pergunta: - O que você vai fazer? Jogador responde: - Eu ataco usando  mãos flamejantes...jogador rola os dados (dano), mestre rola os dados (resistência), depois dos cálculos....o mestre manda - Você acertou o bicho e ele queimou e morreu...você ganhou 100 XP e 10 moedas de ouro............jogador anota seus ganhos e a aventura continua. OMG!!

Se você achou isso normal, me perdoe, mas você não joga RPG!

Esqueça essa mecânica de MMO, não deixe que as regras o controlem, pois é você que controla as regras, as batalhas não podem ser feitas dessa forma, onde foi parar a emoção, se for para matar monstros e passar de nível jogue vídeo game. No RPG não temos TV ou monitores, mas temos algo muito melhor a imaginação e a narrativa, então use e abuse delas, pois da para sentir uma gigantesca diferença, veja:

Ao se deparar com o gigantesco aracnídeo, Jeena em um reflexo estende suas mãos para frente e ao unir seus polegares formando um leque pronuncia as palavras arcanas, enquanto isso a criatura salta do rochedo e avança ferozmente balançando seu ferrão, quando o monstro chega a três metros da jovem um violento jato de fogo fustiga sua fronte torrando seus olhos, a criatura se debate tentando apagar o fogo, mas é tarde, pois a vida se esvai rapidamente e ele cai ainda tremendo, um cheiro terrível invade as narinas da jovem, ela limpa o suor da testa e vai até o corpo do escorpião para se certificar de que a criatura está morta.


Independentemente da situação de combate tente se focar na narrativa, bônus e redutores podem resumir centenas de fatores sistemáticos das condições do confronto. Peça aos jogadores que descrevam suas ações, golpes, manobras ao mesmo tempo que você mestre, descreve as ações dos inimigos, incremente as lutas com fatores de clima, terreno e todo tipo de detalhe, imagine uma batalha de dois guerreiros que estão no meio de uma ponte de corda e se encontram cercados de ambos os lados por terríveis bárbaros, ao mesmo tempo uma tempestade torrencial cai junto com raios e trovões, a ponte balança com o vento. OU um ladrão que escala um paredão de rocha e se defronta com Urds (kobolds de asas). Existem possibilidades infinitas, chega de: - EU ATACO. EU DEFENDO...EU ATACO.

  NO MORE!
 Por Red Dragon "Kicking ass"
Red DragonRed Dragon, um dragão que estranhamente joga RPG desde que saiu do ovo, adora tudo relacionado aos cenários de fantasia, mestre rodado em vários sistemas, fã incondicional de Tolkien. Mora em um vulcão onde tenta entender os seres humanos.

25 comentários:

  1. muito bem dito, red.
    e ainda de quebra, aprendi q escorpioes sao aracnideos!

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  2. Ainda acho que tem mais uma coisa além de interpretar as ações: os combates devem ser contextualizados pelo mestre...isso de: "vc está na floresta e derrepente aparece um tigre e te ataca!" é tão MMO quanto não interpretar.
    Todo combate deve ter um pq na narrativa!

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  3. Gostei red! Tenho o mesmo sentimento que vc: se a gente não fica esperto, acaba apenas calculando jogadas, em vez de narrar as cenas.

    Eu gosto muito mais das descrições do que das rolagens de dados, principalmente nas mesas online, pois lá a coisa se complica muito na hora do combate.

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  4. Na minha mesa se o jogador acertou o ataque eu digo a ele se feriu muito ou pouco o inimigo e deixo ele narrar como foi, desde seu ataque até a reação do bicho... o contrario tambem é valido... se ele erra eu narro como o bicho se defendeu... e por ai vai o combatenarrado de ambas as partes, eh a parte onde eles mais soltam a imaginação...

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. "Vale lembrar também que não há nada de errado em não interpretar. Se o grupo se diverte apenas rolando dados e calculando estatísticas, ótimo, significa que estão jogando certo."

    falou tudo cara. como vc pode dizer pra alguem "vc não esta jogando RPG, va jogar videogame"? isso é um absurdo velhinho

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  7. Pessoal não entendeu nada do que eu tentei explicar, mas ok vamos lá:
    Acho que rolar dados e colher resultados numéricos se baseado em certas regras de livros não é jogar RPG, acredito que RPG é primeiramente um jogo de interpretação, as regras devem existir sim, mas não devem ser a prioridade, elas não podem controloar o mestre e os jogadores, deve acontecer o oposto.
    Jogar videogame não é ruim XD

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  8. Se o pessoal se diverte rolando dados, fazendo cálculos e escrevendo números, tudo bem, mas pra mim isso não é jogar RPG, pois sem uma boa interpretação e claro uma narrativa empolgante fica difícil ter jogo.

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  9. Black Dragon o Aprendiz6 de abril de 2011 17:41

    Estou sem paciência para redigir um longo tomo para estabelecer o meu ponto de vista, mas em resumo RPG é um jogo para INTERPRETAÇÃO DE PERSONAGEM, pura e basicamente isso... não para simulação de vida de forma matemática... logo para mim atentar mais as regras que a historia não faz sentido.

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  10. Foi polêmico esse... oO

    Bom, pra mim não existiriam livros de regras, só de cenários mesmo... xD

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  11. É como disse um velho deitado: "gosto não se discute". Se o cara gosta de ficar só rolando dados, que role. Se o cara prefere interpretar, que interprete. Se o cara quer ouvir Rebecca Black, que ouça. Se prefere Iron Maiden, que aumente o volume!

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  12. AUMENTA O VOLUME!!!

    Gostei muito do post, estou levando minha mesa para um lado cada vez mais old school.

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  13. Esse treco de interpretação em combate depende MUITO mais do grupo do que do mestre...
    É triste chegar numa mesa e ver a galerinha menos empolgada que uma pedra!
    Se o jogador consegue se por na situação mencionada, se ele se interessa pelo jogo mesmo, ele vai interpretar o combate de forma legal!
    O problema Red, é que eu sou um jogador de bastante tempo, e eu digo: Até mesmo eu, que tanto critico a falta de interpretação, às vezes peco nesse aspecto. Depende muito do grupo com q vc ta jogando.
    Meu sistema de jogo dominante é o interpretativo, não tenham dúvidas! Se pessoas acham ótimo jogar RPG pensando puramente em matemática, problema é deles.
    Problema mesmo! Tá perdendo tempo nessa mesa meu comparça, Dragon Age, Drakensang e Neverwinter Nights vão suprir as tuas necessidades de forma muito mais completa que o RPG de mesa. (Ou se quiser, se abraçe no 4.0)

    Adoro temas polêmicos.
    Para todos, saudações!

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  14. em combates menores, como o citado do escorpião, acabo não me empolgando muito, e a coisa rola mais mecanica mesmo, apenas com algumas partes mais importantes. mas ja quando o pessoal estivesse na ponte cercado por exercitos e tal, como tb foi citado acima, ai sim seria um bom momento para por toda a carga interpretativa. :D
    e eu curto um D&D 4ed de vez em quando,exatamente quando to mais a fim de jogar um quase wargame e deixar um pouco minha imaginação descansar :P

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  15. up the irons \m/

    rpg é um pouco dos dois, simples.
    arneson era mais role, gygax mais play, e ambos fizeram o game :D
    leiam minha ultima postagem no vorpal para mais detalhes ;)

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  16. @ Rafael Beltrame; Cara é bem isso que vc disse, ROLEPLAY, um equilibrio entre interpretação e regras, mas fiz esse post justamente pq estou percebendo que muitos jogadores simplesmente esquecem a interpretação e ficam só nos números nas regras.

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  17. Este comentário foi removido pelo autor.

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  18. Pois é, discutir as várias maneiras de se jogar RPG sempre gera polêmica. O pior é que amanhã de manhã vou postar outro post polêmico, kkkkkk. Aguardem e comentem.

    Bom, Mestre Walla, concordo em parte contigo, pois acho que o sistema influencia os rumos do jogo, seja para a interpretação ou para rolagens matemáticas. Estou lendo Busca Final agora, e é impossível jogá-lo sem ser de forma interpretativa.

    Acho que o que pode-se fazer, com D&D e outros sistemas mais mecânicos, é enxugar as regras que não se queira usar e preencher o espaço com interpretação.

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  19. Fico feliz em saber que mais alguém sabia que um escorpião era um aracnídeo... :P

    Bom, interpretação não é descrição das ações durante um combate. Eu sei que todos já entenderam a questão do post, mas é bom diferenciar as coisas.

    Eu jogo D&D 4, mas eu uso a descrição detalhada das ações dos monstros, às vezes até alterando o que está escrito nas regras, pois, como o Red falou, as regras não devem controloar o Mestre, mas o contrário. E eu faço isso na 4ª edição, mesmo que alguns jogadores gostem mais de estratégia e maximização das rolagens de dados. No fim, todo mundo joga um pouco das duas coisas na medida que cada um gosta.

    Mas eu concordo que RPG de verdade requer imersão nas cenas - inclusive nos combates - e a imersão requer uma descrição vívida. Eu vou pelo que está escrito no velho AD&D, mesmo que seja um pouco difícil de alcançar: "O truque em criar um combate vívido é se preocupar mais com o que está acontecendo a cada instante do jogo do que com as regras."

    A vantagem do D&D 4 nos combates é que ele dá mais opções de ações no próprio sistema- as quais PODEM deixam os combates mais ricos, caso não nos limitemos ao "acertei, errei". Tenho um blog no qual eu tento tornar o D&D 4 mais Old School: http://montantemagica.blogspot.com. Abraços.

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  20. Caracas, isso deve ser uma tarefa hercúlea, Nestor: transformar 4ª edição em Old School. Meus parabéns pela iniciativa!

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  21. :D Pois é... o que a gente não faz pra ter um jogo mais divertido? Mas quando se é o Mestre as coisas ficam bem mais fáceis... Às vezes... :P

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  22. Realmente esse foi polemico. Gostei do post, mas não concordo inteiramente com o que foi dito. RPG é um jogo de interpretação sim, mas também é um jogo de rolamento de dados, com uma mecanica que é extremamente necessária. Quanto a mecanica de combates, as vezes é meio dificil manter aquele entusiasmo durante um combate simples, como o do exemplo acima. Como mestre gosto de descrever detalhes de combate, mas como disse antes é dificil manter isso em todos os combates, até porque gastaria muito tempo. Por outro lado, dar XP a cada combate é perda de tempo pra mim. Eu calculo o XP depois das sessões de jogo, ou então quando o grupo está em uma taverna, longe do perigo e se recuperando, pois se o cara for passar de nivel, e evoluir não dá simplesmente pro cara ganhar uma nova habilidade em meio a um combate, dentro da masmorra. Ai vira Final Fantasy...

    Excelente Post, boa discussão!

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  23. Gostei da postagem e venho tentando trabalhar isso no meu grupo. O combate é cheio de tensão. É a hora que a vida e morte dependem dos dados. É a hora que o roleplayer sai de cena e fica o game.

    Descrever cenas de combates não é tarefa facil. Imagina manter a mesma emoção dos combates épicos de Gladiador, quando o grupo luta com um pequeno grupo de Kobold.

    É difícil, mas não impossível! Como o post diz, a cooperação entre o mestre e os jogadores podem ser um solução.

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  24. Pessoal, por acaso, escrevi umas dicas de como deixar combates mais narrativos, realistas e old school no D&D 4. Talvez alguma dica sirva para todos os RPGs de forma geral. Vejam no http://montantemagica.blogspot.com.

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