quarta-feira, 15 de junho de 2011

Lição: Largando a Mesmice

Olá, classe! Depois de algum tempo sem postar algo estritamente relacionado ao RPG, estou de volta. Cansado de interpretar o mesmo bárbaro burro, faminto e fortão? Ou aquele mago misterioso com suas bolas de fogo? É hora de inovar!

Minha experiência como jogador é bastante curta. Creio que, somadas, minhas sessões na frente do escudo não chegaram a 20. Mesmo assim, foram quatro sistemas, três cenários e quatro personagens completamente diferentes um do outro.

Meu primeiro personagem como jogador foi um anão guerreiro, usando o Tagmar. Diferente dos outros anões, Twin (irmão de Twon, interpretado pelo Maiquel "Ossur") possui um humor sarcástico e, apesar da pobreza, era muito culto. Depois, em 3D&T, fui um mago em Tormenta. Aleth Mechas-Azuis era ganancioso, sombrio, calado e extremamente falso. No fundo de seu ser, pretendia assassinar e roubar todo o seu grupo, só precisava de poder para isso. Com a morte de Aleth, surgiu Eored, um paladino de Khalmir, mas agora no Sistema Daemon. Honrado, heróico, com um passado terrível e um coração partido, Eored seria um bardo encornado se não tivesse encontrado a religião como abrigo. Por fim, o último foi Cão Negro, o ladrão elfo, com o Old Dragon e Forgotten Realms como ambientação. Cão Negro havia deixado a vida calma na floresta para viver em alto mar, saqueando, bebendo e se divertindo.

Afinal, o que isso tem a ver com inovar? Bom, se você é um jogador convencional, deve ter tido muitas oportunidades a mais do que eu para criar personagens diferentes, mas, quantos criou? A maioria dos jogadores parece apegar-se com uma ou outra classe/raça e permanecer nela por longos e longos anos, mudando pequeníssimos detalhes. Gosto é gosto, claro, mas, por que não dar uma chance às outras classes disponíveis? Por que criar pela milésima vez o guerreiro anão de machado?

O que me motivou a escrever esse post foi justamente a mudança de comportamento de um de meus jogadores: Odair, responsável pela criação de Odain, um dos personagens de "O Reino de Bruntoll". Odair começou a jogar RPG comigo lá por 1996, 97, não lembro bem, mas foi um dos primeiros a aderir ao "jogo estranho" que eu trazia para a cidade. Para ser franco, não fosse o RPG, provavelmente não teríamos nos conhecido.

Em todos esses anos, quando jogávamos Fantasia Medieval, Odair criava seu anão com machado. Começou com Pingo, um anão bagaceira e mulherengo, depois veio Odain e toda a sua geração. Não importava o cenário ou sistema: "Odain Sangue de Kayers" surgia em todas as mesas. Nosso grupo sempre teve uma parcela de culpa: sempre esperávamos pela interpretação do guerreiro anão em nossas mesas. Era uma tradição. E, modéstia a parte, nunca vi alguém interpretar um anão como esse cara, ao ponto de brandir um machado DE VERDADE para mostrar como foi o acerto crítico na cabeça do orc, usando um cepo velho como alvo (não façam isso em casa).
No começo desse ano, quando Odair voltou a nossas mesas, depois de quase cinco anos sem rolar dados, já estávamos certos da presença de seu clássico anão. Qual não foi nossa surpresa ao Odair criar um humano bárbaro: Ergo Teeh. Mesmo assim, no fundo, sentíamos que era o mesmo Odain, mas, agora, com novo formato e habilidades.
Odair saiu de "Ergo Teeh"...

Na última sessão, Ergo morreu: ao lutar com uma vinha assassina para libertar seus amigos, o bárbaro acabou preso e, apesar dos esforços do grupo para salvá-lo, ele não resistiu e morreu asfixiado pela planta. Apesar da comoção geral, Odair não quis que seu personagem fosse ressuscitado: ao invés disso, pediu se poderia criar outro personagem. Um monge... meio-orc!

para Jabala Mukta!
Tudo bem, alguns podem alegar que um monge também é uma espécie de guerreiro, mas, percebam a "sutil" diferença entre um mestre do kung fu e um viking... inovação, hora de tentar algo novo, parabéns ao Odair pela coragem e vamos ver como Jabala Mukta (o novo personagem) será.

Agora, não tente inovar pela bizarrice... nada é pior do que o jogador que pensa estar inovando ao criar um drow paladino ou um meio-dragão bárbaro. Há tanto para se explorar com o básico, para que apelar para esse tipo de coisa? Veja o Old Dragon, por exemplo: quatro raças e quatro classes. Simples e básico. Como ser original nesse caso? Bom, escolhendo seu estilo e, principalmente, criando um background.
"Meu novo personagem: um gnomo ladino/bardo/feiticeiro/psiônico!" Jogador Inovador...

Primeiro de tudo: qual a filosofia de vida de seu personagem? O que ele considera certo e o que é errado? Depois, como ele é em combate? Agressivo, defensivo ou covarde/oportunista? ISSO é inovar, isso é pensar diferente, não apenas "combar" classes e habilidades para sair "melhor" que o resto do grupo. Odair ainda não mostrou a história completa de seu monge meio-orc, mas já adiantou-me algumas coisas: perdido em um mundo que não o aceitava, Jabala caminhou sem rumo até encontrar um monge meditando. Pensando em roubar-lhe, tentou atacar, mas foi surpreendido e subjugado pelo heremita que, ao invés de puní-lo, mostrou-lhe o caminho necessário para a sabedoria. Agora, Jabala parte em busca de auto-conhecimento e aperfeiçoamento corporal e espiritual. Vejam, ele será um cara grandão, forte, mal-encarado, estereótipo da selvageria mas unicamente na aparência.

Um abraço e até semana que vem!
P.S: hum, isso me deu uma ideia. O que acham de um post sobre o equilíbrio entre classes? Ou esse assunto já está muito batido?
Prof. AlessandroAlessandro é professor de Inglês, Espanhol, Português, Religião e Literatura devido à profissão. Cineasta, cientista, astrônomo (não astrólogo...), artista plástico, ator, músico, linguista, poliglota, crítico e escritor devido à paixão. Leitor, RPGista, nerd, cinéfilo, enólogo e ocultista devido à diversão. Maníaco por cultura devido a algum mal genético. Ah, e chato, por pura força de vontade.

8 comentários:

  1. A mesmice é chata e é sempre bom expandir os horizontes, mas o conforto de saber que está pisando em solo conhecido também é bom xD

    Ah, Professor, os personagens bizarros são inovadores também, olha pro Tork, por exemplo :P

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  2. Não sei o que é pior,fazer sempre o mesmo personagen, ou interpretar personagens diferentes sempre do mesmo jeito... ótimo post!!!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Prof. legal o post!
    Posso dar uma sugestão? Na sequencia de posts sobre "mestrar sem tempo" uma das coisas que disse no final era q era bom um sistema simples, para facilitar a criação de aventuras e pdms...
    Poderia falar mais sobre isso? dar dicas de sistemas simples, ou como "simplificar seu sistema?", sei lá algo do gênero.
    Vlw prof no aguardo...xD

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  5. Humm... Isso é verdade, tem muita gente que se apega demais a um tipo de personagem.

    Primeiro, eu era só anão. Primeiras vezes jogando, foi triste, pq muitos deles nem tinham uma história digna. Com o tempo as histórias foram ficando ricas!

    Frizar 3 anões que eu criei:

    Fordin Barba-castanha. Era um guerreiro com um machado. Foi meu primeiro personagem de D&D. Ele era bondoso e companheiro, gostando muito da sensação de ser herói (salvar a vila e ganhar cerveja de graça na taverna). O grupo era predominante maligno, e eu fazia de conta que Furdin não notava isso.
    Por poupar a vida de um fauno que depois os traiu, Furdin foi deixado na estrada, nú e desarmado.

    Furdin (hsauhsuahs): Segundo personagem que eu criei no D&D, era um bardo que tocava sanfona... Fanfarrão e muito Cavalheiro com as mulheres. Evitou muitas brigas conversando ou tocando alguma música agitada na cordeona.

    Borin Balbúrdia: Anão Ranger... Eu chamava ele de anão caçador apenas, pois eu neguei qualquer tipo de magia ou simpatia com a natureza.
    Ele detinha um mosquete, que passava por cajado aos olhos leigos. Tinha um urso, o Akilla, que era seu companheiro fiel, mas por o urso pardo ser muito forte, o mestre fez que ele era covarde e não entrava em brigas... No fim isso foi um grande alívio cômico, o anão mandando um urso enorme atacar e ele fugindo.


    Depois dos meus anões, eu começei com a linhagem Bradford... Realmente, esse sobrenome eu uso demais para cavaleiros e paladinos.
    O Cavaleiro foi o personagem que mais me identifiquei (por isso que eu sou O Cavaleiro, ahsuhaus)
    No fim das contas, eu acabei aprendendo muito com os meus cavaleiros. Posso dizer que eu mesmo virei altruísta e mais simpático. O RPG mudou a minha personalidade, fato.

    Fica um abraço pra essa galera genial!

    (sou eu mesmo, o blogger tá dando pau aqui)

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  6. Eu me auto-proclamo o Clérigo pelo simples fato de que meu primeiro PJ era dessa classe. Mas poucas foram as vezes que joguei com sacerdotes, depois da paixão inicial.

    Eu quero o post sobre equilíbrio!

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  7. Ótimo post, como sempre!

    Por conta de ter mais conhecimento sobre os sistemas, caía sobre mim a necessidade de jogar com os conjuradores, por exigir mais "manha", logo eu sempre era o clérigo xD por muito tempo um gnomo clerigo, por sinal.

    Mas depois fui "obrigado" a mestrar por muito tempo, e quando voltei a jogar já tinha conseguido instaurar a idéia de que um grupo não precisa ser completo, com guerreiro/ladino/mago/clérigo, é legal também ter deficiências, te obriga a pensar xD

    Por falar em deficiências, todos os meus personagens tinham pontos fracos: um feiticeiro de linhagem dracônica que não tinha magias de ataque à distância e jurou matar todos os dragões negros até matar seu pai, um clérigo de Hyninn que era contrabandista de pólvora e péssimo em magias(sabedoria baixa) e um LIXO no combate (QUANDO lutava ...), ou mesmo um bardo mentiroooooso pra c¨#!$* que se fazia passar por clérigo de Tanna-Toh...

    Quanto ao post sobre equilíbrio, se for algo genérico (não visando um sistema específico), tratando das necessidades desse equilíbrio (ou não!) em relação ao meta-game-roleplay acho sim muito interessante! Vai aí umas dicas de leitura, pois antes de tudo é muito importante lembrar das origens do nosso RPG:

    http://www.dot20.com.br/2010/11/21/dd4e-incompreendido-p1/

    http://www.dot20.com.br/2011/01/10/dd-4a-edicao-incompreendido-parte-2-2/

    http://www.dot20.com.br/2011/01/02/guerreiros-lineares-magos-quadraticos/

    no mais, parabéns!

    =]

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